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Atualidade

A ignorância e a indiferença estão matando o Brasil

Displicência, roubo, mentiras e outras falcatruas e pecados, quando o país precisa de eficiência e patriotismo autêntico. Como, aliás, é a regra geral em todos os outros países do mundo

Públicado em 

17 ago 2021 às 02:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Bandeira do Brasil
Bandeira do Brasil: não se pode nem sequer confiar o seu cão de estimação à maioria dos dirigentes do país para dar um passeio na pracinha Crédito: Pixabay
Bravo povo brasileiro, preste atenção. Basta ser dotado de mais de um neurônio para perceber a dimensão deste pandemônio nunca dantes navegado no país e, especialmente, a tragédia provocada pela indiferença de quem deveria proteger e amar seus filhos.
Tem muita loucura e incompetência espalhada nas altas rodas administrativas do país. No momento em que batuco essas mal traçadas - sexta-feira 13, aliás –, grandes males assolam todos os setores ligados à sobrevivência cabocla. Para começar, os ocupantes dos confusos poderes que impõe regras retiradas do próprio umbigo não têm vergonha de derramar mortal perversidade em cada decisão que seja.
Desde que a pandemia foi reconhecida pelas áreas de alta ciência das universidades e classes raciocinadores, que os podres poderes, como diz Caetano Veloso, carecem de competência e seriedade para proteger seus súditos.
Entretanto, devido ao óbvio desinteresse pelo assunto, no dia de hoje, temos o seguinte resultado: 567 mil mortos e mais de 20 milhões de contaminados, graças no mínimo à falta de gestão na área de saúde, principalmente. Como sempre acontece, reaparece, firme e forte, a caverna de Ali Babá com seus habitantes.
Displicência, roubo, mentiras e outras falcatruas e pecados, quando o país precisa de eficiência e patriotismo autêntico. Como, aliás, é a regra geral em todos os outros países do mundo.
Esse adoecimento geral, Covid-19, é apenas parte do problema. Além de provocar sintomas graves, levando à morte ou sequelas milhares de brasileiros, a verdadeira tragédia foi a “belle indifference”, como Freud chamava a histeria coletiva, que deixou a pandemia deitar e rolar sobre nossas cabeças confusas e nas mãos sujas dos manipuladores de sempre.
Não se pode nem sequer confiar o seu cão de estimação à maioria dos dirigentes do país para dar um passeio na pracinha. Vão deixar morrer de propósito. Vide a presente CPI, com seu palavreado gritado e encenado com convicção e teatralidade. Quando um lado xinga o outro, ambos estão cobertos de razão.
Não é a primeira vez que o Brasil é alvo de epidemias graves. Os governos são os que nunca estão voltados para o outro, atuando na direção da ética e da estética. Parece que desta vez chegamos aos medalhas de ouro dessa estranha Olimpíada.
Se membros do governo foram gravemente desonestos - como mostrou, e ainda mostra, a Lava Jato e operações semelhantes -, com toneladas de dinheiro público retirados do prato de comida dos miseráveis nacionais, não contamos com um sistema de apuração que não possa ser contradito por estranhas leis sobre leis. É sempre possível criar uma confusão perto da suposta conclusão de um inquérito, na maioria dos casos.
O imponderável tomou conta do país. E querem que o povo respeite um sinal de trânsito.
O jogo da compra, venda, revenda, rachadinhas, propinas e demais trambiques oficiais chegou ao ápice. Inventaram e reinventaram, por exemplo, medicamentos inócuos. A indústria das farmácias está deitando e rolando nos preços, como sempre fizeram, mas não com tanta eficiência. Dá para ouvir de longe o tilintar das moedas.
Não aparece um único fiscal em lugar nenhum. Essa onda nacional reverbera para todos os lados.
As quadrilhas estão, sim, preocupadas com a reeleição para continuar a bizarra saga. Faz falta no país a formação de eleitores conscientes e a liberdade para votar ou não e, especialmente, a criação de meios onde todos sejam alfabetizados e educados a ponto de compreender minimamente o que está fazendo ao votar.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, afia os caninos.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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