Antes mesmo de entrar em vigor, o anúncio de Donald Trump de impor tarifas de 50% aos produtos vendidos pelo Brasil já impacta negativamente segmentos econômicos.
Diante das incertezas sobre os prazos e da proximidade da vigência das tarifas, até o momento em 1º de agosto, importadores americanos começaram a cancelar pedidos, temendo que as cargas cheguem aos EUA já sob a nova taxação. Do lado de cá, empresários brasileiros estão desacelerando a produção e adiando embarques para evitar prejuízos com estoques encalhados ou contratos desfeitos em cima da hora.
Nesse prisma, o Portal G1 divulgou um levantamento no último dia 19 de julho que aponta as principais vendas de produtos brasileiros já prejudicadas pela ameaça de Trump. Esse tarifaço já impacta negativamente as exportações, sobretudo, de seis produtos em diferentes estados brasileiros, como é o caso do mel orgânico no Piauí, carne bovina no Mato Grosso do Sul, pescados na Bahia, Ceará e Pernambuco, madeira no Paraná, móveis no Rio Grande do Sul e rochas ornamentais no Espírito Santo.
O tarifaço anunciado por Trump teve efeito imediato em grandes encomendas de mel orgânico do Piauí. Essas foram canceladas após o pronunciamento do presidente norte-americano. O Brasil está entre os principais produtores mundiais de mel, e o Piauí ocupa posição de destaque na produção nacional, especialmente no segmento orgânico, com forte inserção no mercado americano.
Visando evitar sobrecarga de estoque, grandes frigoríficos instalados no Mato Grosso do Sul paralisaram a produção. O mercado norte-americano compra cerca de 12% da carne bovina nacional, sendo o 2º maior comprador. O maior é a China que compra quase a metade (48%) da carne brasileira, conforme dados do Ministério da Agricultura. Tais frigoríficos vão buscar redirecionar seus produtos para outros parceiros econômicos, o que em curto prazo representa um desafio logístico e financeiro.
Após o anúncio de Trump importadores americanos congelaram pedidos de pescados, impactando na paralisação de 58 contêineres em portos como Salvador (BA), Pecém (CE) e Suape (PE). Os EUA recebem quase 70% dos pescados do Brasil.
No Paraná grandes empresas do setor madeireiro já colocaram funcionários em férias coletivas, após a suspensão de embarques de produtos para os EUA. O território norte-americano é destino de 42,4% de toda a madeira exportada pelo Brasil. Já o setor de móveis do Rio Grande do Sul sofre com incertezas sobre novas encomendas.
No Espírito Santo, cerca de 66% das exportações de rochas, como mármore e granito, são voltadas para os Estados Unidos. Após o anúncio, embarques foram suspensos ainda sem cancelamento formal, mas já sinalizando queda de demanda.
Esses são alguns dos principais segmentos que estão sendo impactados, também há preocupações com as vendas de cafés, laranja, frutas, jatos comerciais e outros produtos.
O tarifaço de Trump se caracteriza como um tsunami que atinge a economia exportadora brasileira, do agronegócio ao setor industrial. A instabilidade e as incertezas geradas pelo anúncio do tarifaço já impactam atividades, enfraquecem contratos e, sobretudo, expõem a fragilidade de nosso modelo dependente de poucos mercados.
O Brasil precisa acelerar a busca por novos parceiros comerciais, fortalecer sua resiliência e, sobretudo, pensar em políticas que transformem essa crise num ponto de virada rumo a cadeias mais diversificadas e sustentáveis.