De posse dos dados de novembro de 2023 da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF/IBGE), comentei nesta coluna há algumas semanas o desempenho de destaque da indústria do Espírito Santo em nível nacional. Até aquele mês, as atividades do setor secundário capixaba haviam crescido 6,8% no acumulado de 12 meses.
Com os dados consolidados em dezembro, recentemente divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), é possível perceber que a indústria capixaba superou as expectativas e fechou 2023 com uma expansão de 11,1% em relação ao resultado de 2022, desempenho acima da média nacional (+0,2%).
Como já tinha evidenciado nesse espaço, a indústria extrativa favoreceu esses resultados em nível estadual e nacional, com destaque para as atividades das cadeias produtivas de petróleo e minério de ferro. No país a extrativa aumentou 7,0% em 2023, enquanto no ES subiu 20,5%.
Por outro lado, a indústria de transformação fechou o ano no negativo no Brasil (-1,0%) e no Espírito Santo (-3,6%). Os segmentos de fabricação de produtos de minerais não metálicos (-6,1%), metalurgia (-2,9%) e fabricação de celulose e papel (-1,9%) puxaram para baixo a média nacional, enquanto a fabricação de produtos alimentícios apresentou aumento de +3,7%.
No contexto capixaba, os desempenhos negativos da fabricação de produtos de minerais não metálicos (-12,7%) e metalurgia (-4,2%) foram contrabalanceados pelas expansões da fabricação de celulose e papel (+9,4%) e fabricação de produtos alimentícios (+0,6%).
Uma vez realizadas essas ponderações setoriais, cabe um olhar para os desempenhos dos estados brasileiros estudados pelo IBGE. Na comparação entre 2022 e 2023, dez estados alcançaram crescimento na produção industrial, enquanto sete computaram reduções.
Rio Grande do Norte (+13,4%), Espírito Santo (+11,1%) e Goiás (+6,1%) foram os estados com as maiores ampliações nas atividades industriais em 2023. Por outro lado, Ceará (-4,9%), Maranhão (-4,8%) e Rio Grande do Sul (-4,7%) apresentaram as quedas mais fortes no setor secundário da economia.
Com o lançamento do plano Nova Indústria Brasil (NIB), que busca reforçar, diversificar, ampliar e conduzir a indústria brasileira para um patamar mais elevado com maior capacidade de competitividade e alinhamento com os preceitos da sustentabilidade e do mundo 4.0, o governo federal deve estar atento às potencialidades e adversidades regionais. Assim, o país poderá desenvolver os diversos setores e segmentos industriais de forma mais equilibrada, sistêmica e sustentada.