Nos últimos anos, o Brasil seguiu por caminhos tortuosos marcados pela escalada do discurso do ódio, radicalização e intolerância. Alguns extremistas tentaram se apropriar do dia 7 de Setembro na pretensão ideológica de que são mais “patriotas” do que outros. Ensaiaram sequestrar as cores da nossa bandeira.
Essa apropriação indébita das joias simbólicas do país foi procedida de forma sorrateira. Muitos foram manipulados por uma ideologia de supremacia dos supostos “verdadeiros patriotas”. Tal movimento proporcionou cenas vexatórias para a história brasileira.
No discurso de 7 de Setembro de 2022, em evento na Esplanada dos Ministérios, o então presidente da República, Jair Bolsonaro, puxou o coro de “imbrochável” se vangloriando, após citar a esposa. Naquele dia, o grito de “independência” foi substituído deploravelmente pelo suposto autoelogio de “imbrochável”. O locutor do evento anunciou o então presidente como “o homem que defende Deus, pátria, família, liberdade, ética, caráter, trabalho. O homem imbrochável e incorruptível: ele, Jair Messias Bolsonaro”.
Em uma espécie de lavagem cerebral, essas palavras foram repetidas incessantemente nos últimos anos tentando criar a ilusão de um líder indefectível e superior. Poucos meses depois de perder a eleição e sair do poder, Bolsonaro e membros de sua família são alvos de investigações que apuram desde crimes cometidos durante a pandemia, passando por rachadinhas e chegando à corrupção e peculato no caso das joias e relógios milionários. Essa degradante página da história do Brasil está sendo passada a limpo.
Em 2023 o povo brasileiro tem a oportunidade voltar a comemorar a Declaração de Independência, despida da carga ideológica extremista do discurso de ódio e repleto de soberba. Vivemos tempos do resgate do 7 de setembro pela democracia. A maioria da população está cansada de tanta radicalização e intolerância. As lideranças de nosso país devem somar esforços para a pacificação e pavimentação de um caminho sólido para o desenvolvimento da nação.
Viva o resgate do 7 de Setembro, viva a Independência e viva a democracia!