Há uma década, em 2014, o pesquisador e professor Michael Porter da Harvard Business School publicou a primeira edição do Índice de Progresso Social (IPS) no Skoll World Forum, evento internacional de empreendedorismo social.
O IPS é um indicador sintético que possibilita analisar a qualidade de vida em unidades geográficas. Essa medida possui o propósito de destacar que crescimento econômico desvinculado do progresso social pode resultar em degradação ambiental, acirramento das desigualdades e intensificação de conflitos sociais.
Ao longo desses últimos dez anos, potências mundiais, como os Estados Unidos, evidenciaram crescimento econômico. Contudo aquele país caiu do 16º para o 29º lugar no ranking do IPS entre 2014 e 2024. O Brasil despencou da 46ª para a 67ª posição no mesmo ranking, o que demonstra que o progresso social deteriorou ainda mais nesse período.
O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), em conjunto com a Fundación Avina, Amazônia 2030, Anattá Pesquisa e Desenvolvimento, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Social Progress Imperative, lançou, recentemente, o primeiro relatório do IPS Brasil, que traz um retrato da qualidade de vida dos 5.570 municípios brasileiros e 27 Unidades da Federação (UFs).
Tal indicador sintético parte dos seguintes princípios metodológicos: medidas exclusivamente sociais e ambientais, ênfase nos indicadores finalísticos e produção de evidências científicas de relevância para orientar políticas públicas e investimentos sociais privados. Também toma como base três dimensões, a saber: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades. O IPS e suas dimensões expressam notas que variam de 0 (pior situação de progresso social) a 100 (melhores condições).
Na dimensão Necessidades Humanas Básicas são considerados os dados de nutrição e cuidados médicos básicos, saneamento básico, moradia e segurança pessoal. Em Fundamentos do Bem-Estar são levados em conta os níveis de acesso ao conhecimento, informação e comunicação, de saúde e bem-estar e de qualidade do meio ambiente. A dimensão de Oportunidades trabalha com as condições de direitos e liberdades individuais e de escolhas, de inclusão social e de acesso à educação superior.
Na escala do Distrito Federal e das capitais brasileiras, a nota mais elevada do IPS 2024 foi computada em Brasília (71,25 pontos), que foi seguida por Goiânia (70,49), Belo Horizonte (69,62), Florianópolis (69,56), Curitiba (69,36), São Paulo (68,79), Cuiabá (68,47), Campo Grande (68,21), Palmas (68,07) e Aracaju (67,89). Essas foram as 10 capitais com melhores condições de qualidade de vida. Vitória ficou na 12ª posição (67,20).
Na parte inferior do ranking, as 10 capitais com as notas mais baixas do IPS foram Porto Velho (57,10 pontos), Macapá (58,03), Maceió (62,37), Belém (62,51), Rio Branco (62,68), Boa Vista (62,76), Recife (63,73), Salvador (63,80), Manaus (64,35) e Fortaleza (64,42).
Nesse sentido, os resultados do IPS evidenciaram que a qualidade de vida do Brasil caiu na última década, porém em 2024 algumas capitais e municípios brasileiros apresentaram condições ainda mais precárias de progresso social.