Nos meus artigos tenho trazido a tona por várias vezes o grande desafio de alguns países em tentar driblar o que vem sendo denominado de armadilha da renda média. Que é quando um determinado país se depara com uma forte barreira, composta por vários fatores, que lhe obstrui a passagem de um patamar médio de renda para patamares mais elevados.
Situação, infelizmente, que se encaixa perfeitamente no caso do Brasil. Um problema que também o impede de crescer e o fragiliza diante de problemas como aqueles causados pelos sucessivos aumentos nos preços de petróleo e seus derivados.
Avaliação que nos leva a admitir que no caso dos preços dos combustíveis a questão que conta mesmo é o fato de o brasileiro, na sua grande maioria, dispor de pouco dinheiro para dar conta dos seus gastos. Situação que vem se deteriorando principalmente nos últimos seis anos, de um lado pela crise autogerada em 2015 e 2016, e na sequência pela pandemia que desarrumou a economia. E agora o país se defronta com um verdadeiro choque do petróleo causado por um evento novo e de grande impacto que é a guerra provocada pela Rússia contra a Ucrânia.
Em suma, o problema está na renda do brasileiro e nem tanto nos preços dos combustíveis. Se observarmos os preços vigentes em outros países vamos ver que o Brasil é o octogésimo segundo país dentre 160 países num ranking que tem no topo Hong Kong, cujo preço da gasolina está em média a cerca de 3 dólares. O preço da nossa gasolina, por mias incrível que pareça, se encontra abaixo da média mundial, no entorno de 1,3 dólares o litro, naturalmente a depender principalmente do câmbio.
Da mesma forma, não somos o país com a maior carga tributária sobre combustíveis. Temos vários países cujas cargas tributárias se encontram em patamares acima de 50%. Como já demonstrei em outro artigo recente, no Reino Unido aplica-se um carga de tributos que chega a 70% Reino Unido aplica-se um carga de tributos que chega a 70%.
Aliás, em praticamente todos os países da União Europeia a alta incidência de impostos sobre combustíveis fósseis encontra respaldo em políticas voltadas para a aceleração da transição energética, dentro dos propósitos de contenção de emissões de gazes causadores do efeito estufa.
O problema do nosso país é que sempre precisamos da ocorrência e recorrência de eventos inesperados e de alto impacto, como agora com a guerra, para nos alertar que de fato não dispomos de uma política energética de longo alcance e sustentável, e que inclusive contemple obviamente também política de preços.
O mesmo podemos afirmar em relação ao problema do fornecimento de fertilizantes, com a forte dependência externa. Ou seja, continuamos a nos colocar como país do futuro, sem ao menos projetá-lo para tanto. Um triste legado.