Aprendemos na filosofia, pelo menos naquilo que se apresenta de mais comum e plausível, e em certo ponto contrapondo-se ao que nos induz a pensar o humanismo iluminista e supostamente mais ao alcance de nossa compreensão, que os humanos não conseguem viver e sobreviver sem a ajuda da ilusão.
Essa afirmação nos conduz inevitavelmente à avaliação de que o futuro se apresentará sempre melhor do que o passado. Talvez seja essa a razão de ainda muitos brasileiros acreditarem, e assim colocarem fé, que em verdade se mostra mais como esperança, de que o Brasil é um país do futuro.
Nos meus já muitos anos vividos e experimentados, com um olhar sobre o Brasil, pude constatar existências de ondas ilusionistas, de desencantos e encantos, de crenças e descrenças, de crescimento e crises. Mesmo assim, considero difícil não acreditar, sob influências de ilusões ou não, numa trajetória linear de um tempo mais longo, realmente alimentaram e produziram avanços, mesmo que não bem ao alcance dos desejos.
Naturalmente, dispostos num perfil de trajetória perpassando vales, alguns profundos, de crises, de platôs de estabilidade, de montanhas e picos de sucessos. Assim, num transcurso mais longo, avançamos na democracia, na economia e na sociedade. Recordando, não sem percalços.
Agora, trazendo essa discussão para o momento atual, de “vale profundo”, e num contexto de efervescência de processo eleitoral que definirá os incumbentes do poder que governará o país nos próximos quatro anos, entendemos como ocasião mais que adequada para se renovar esperanças e expectativas que possam funcionar como âncoras inspiradoras.
O momento é propício para a construção e coletivização de uma narrativa força que consiga amalgamar e alimentar esperanças e expectativas de que o futuro será de fato melhor do que o presente.
Infelizmente, pelo menos até o momento não é esse o esperado cenário do debate eleitoral que se projeta. Isso não significa que até outubro não se consiga avançar na direção da construção de uma arena de debates que coloque em pauta os problemas e temas hoje considerados cruciais para que o Brasil possa de fato superar seus grandes desafios e assim reacender e sustentar esperanças e expectativas positivas.
Mas ainda há espaço para que isso aconteça. Se não acontecer a contento, resta-nos a ilusão - ou esperança? - de que o futuro, num olhar de mais longo alcance, será melhor do que o presente. É preciso uma narrativa força que se transforme em crença capaz de rumar o país na direção certa.