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Economia

Estabilidade econômica prevaleceu na maioria das eleições do Brasil

Qual narrativa, fatores ou elementos estarão presentes mais fortemente em outubro 2022? Há quem aposte no retorno à narrativa da estabilidade, centrando-se assim em fatores que tocam na economia

Publicado em 07 de Maio de 2022 às 02:00

Públicado em 

07 mai 2022 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Brasil
A eleição de Bolsonaro não passou pelo crivo da economia Crédito: Pixabay
Que as eleições deste ano vão ocorrer em clima de nervos à flor da pele acredito não haver dúvidas. Como também nunca tivemos um calendário eleitoral tão antecipado e já espelhando um processo acirrado de polarização entre dois candidatos que se postam à frente nas pesquisas. Uma polarização que vem sufocando, ou para quem ainda acredita, tamponando a possibilidade de surgimento de uma terceira via.
Como vivemos num país onde até o passado pode ser tomado como incerto, ainda haverá tempo para se acreditar em mudanças de cenário. Resta saber quais elementos, fatores ou narrativas entrariam nesse novo jogo.
Vale aqui retroceder no histórico de eleições presidenciais em busca de narrativas força que acabaram impactando os resultados finais. De antemão fica claro que, de um total de oito, em cinco delas a narrativa da estabilidade econômica se colocou como decisiva, a começar com a eleição de FHC em 1994, com o Plano Real, indo até a eleição de Dilma para o seu primeiro mandato em 2010.
Na eleição de Collor em 1990 parece-nos ter prevalecido a narrativa da mudança, do novo, do moderno do discurso antissistema – caça aos marajás - contrapondo-se a gestão Sarney que termina se mandato com a economia amargando queda de 4,4%. Forçado a deixar o comando do país, por questão que não cabe aqui resgatar, foi sucedido por seu vice Itamar Franco, que numa cartada audaciosa, que nem lhe era própria, implantou o Plano Real, que fez a economia crescer 5,3% em 1994. O crescimento da economia e a estabilidade da moeda elegeram FHC.
E foi a perspectiva da estabilidade que acabou reelegendo FHC em 1998, mesmo a despeito do crescimento praticamente nulo da economia naquele ano. Talvez, ou até com certeza, tenha prevalecido o receio da quebra da estabilidade. Esse mesmo receio ressurgiu na eleição de 2002 na perspectiva de eleição de Lula. Vale lembrar que o PT, seu partido, votou contra o Plano Real em 1994. O que o salvou e o fez eleito foi uma carta de compromisso com os pressupostos da estabilidade. No seu primeiro mandato foi até mais radical no seu compromisso do que seu antecessor. A economia em 2002 cresceu 2,7%.
Nas duas eleições seguintes estabilidade e crescimento econômico foram fatores decisivos. Em 2006 a economia cresceu 4%, já surfando no boom global das commodities, que foi sustado apenas em 2009, com queda do PIB de 0,3%. No entanto, em 2010 a retomada rápida da economia, com crescimento de 7,5%, acabou favorecendo a eleição de Dilma.
A reeleição de Dilma em 2014 foi um tanto quanto atípica. A dita nova matriz econômica, que se dizia que elevaria a economia a patamares elevados de competitividade,  não logrou êxito, além do abandono dos pressupostos geradores da estabilidade. É provável que o peso da campanha política e o legado impregnado no imaginário dos eleitores a tenham ajudado. Em 2014, a economia já vinha definhando. Cresceu apenas 0,5%. Nos anos seguintes o país entrou numa de suas mais longas e profundas crises econômicas.
A eleição de Bolsonaro não passou pelo crivo da economia. Prevaleceu o sentimento antissistema, que já aflorara nos protestos de 2013. Foi produto da polarização e contraposição de forças tomadas como irreconciliáveis, prevalecendo o antipetismo.
Qual narrativa, fatores ou elementos estarão presentes mais fortemente em outubro 2022? Há quem aposte no retorno à narrativa da estabilidade, centrando-se assim em fatores que tocam na economia. O tempo nos dirá, mesmo que já escasso.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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