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Crescimento

Economia capixaba ampliou fronteiras: ES é hoje um verdadeiro hub comercial

A realidade, não por acaso, demonstra o quanto vale um Estado organizado, com um olhar no futuro e equilibrado nas suas finanças

Publicado em 30 de Abril de 2022 às 02:00

Públicado em 

30 abr 2022 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Nos últimos 50 anos, o Espírito Santo conseguiu ampliar enormemente a sua fronteira econômica em relação aos demais Estados, transformando-se num verdadeiro “hub” comercial. Se no front do comércio internacional dominaram e ainda dominam as commodities, no front interno, ou seja, do comércio interestadual é a diversidade e a complexidade de produtos que vêm crescendo.
Esse movimento encontra evidências em números. Em 1975 o nosso fluxo comercial, que compreende a soma dos valores correspondentes às vendas para outros Estados – em notas fiscais emitidas - e compras efetuadas, representava apenas 40% do PIB. Esse mesmo indicador, capturado em 2011, já chegava ao triplo, atingindo 118%.
Mas o maior salto mesmo vem a acontecer nos últimos dez anos, quando o total do comércio com outros Estados no ano de 2021 é alçado ao patamar correspondente a 270% do PIB. E isso a despeito de uma intensa e prolongada crise que afetou o país e mais fortemente a economia capixaba.
Fato interessante nesse processo é que essa forte aceleração na movimentação comercial se deu concomitantemente à ampliação do leque de Estados com os quais o Espírito Santo estabeleceu relações comerciais. Em 2021 a economia capixaba apresentou saldo comercial positivo com 21 outros Estados.
Esse excelente desempenho não aconteceu por acaso e encontra raízes que remontam a década de 70, com a criação do incentivo do Fundap – Fundo de Apoio a Atividades Portuárias. O Fundap não somente atraiu investimentos e novos negócios, mas principalmente promoveu e qualificou o empreendedorismo e o lidar com o mundo do comércio, tanto externo quanto interno.
Um legado que se constitui em capital intangível, mas também tangível pelo lado da infraestrutura e instalações que propiciou, e que em grande medida explicam os excelentes resultados alcançados depois da Resolução do Senado, de 2012, que reduziu a alíquota de ICMS sobre importações de 12% para 4% e que afetou fortemente o Fundap.
Ao adentrar-me nessa temática me vem à memória o desafio que nos impunha a fixação de metas a serem alcançadas pelo Plano de Desenvolvimento ES2030, especificamente na dimensão que lidava com a questão da inserção competitiva e integração regional. Isso em 2013. Ou seja, logo após a Resolução do Senado que tratou do Fundap. Comedidos naquele momento pelo evento, projetamos que chegaríamos em 2020 com nosso comércio interestadual representando 125% do PIB.
A realidade, não por acaso, demonstrando superação e o quanto vale um Estado organizado, com um olhar no futuro e equilibrado nas suas finanças, nos mostra o quanto a economia capixaba ampliou as suas fronteiras. Temos um Espírito Santo maior.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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