Por várias vezes, e neste mesmo espaço, utilizei o conceito de “plataforma de oferta” pensando ser a forma mais adequada de representar a economia capixaba. E a explicação para tanto sempre se fundamentava em sucessivas constatações do expressivo peso do comércio exterior, mas também interestadual.
Hoje, no entanto, me rendo às evidências de que mais do que “plataforma de oferta”, o Espírito Santo vem se transformando em “hub” comercial, agregando gradualmente características de “plataforma de demanda”. Integradas, as duas estruturas configuram-se numa perspectiva de “plataforma logística”.
É simplesmente impressionante o grau de abertura da economia capixaba, e isso tanto interna quanto externamente, observada nos últimos 5 anos. No comércio externo o Espírito Santo sempre foi forte. No ano passado registrou uma corrente comercial de 16,3 bilhões de dólares, com superávit de 3,3 bilhões de dólares. Em Reais isso representa hoje, respectivamente, algo em torno de R$ 85 bilhões e R$ 17 bilhões. Isso traduzido em grau de abertura externa significaria cerca de 56%. É o que representou a corrente comercial externa em relação ao PIB de 2021.
Mas o surpreendente mesmo vem do fluxo do comércio entre Estados. E nessa tarefa nos ajuda em muito os dados publicados pelo Confaz – Conselho Nacional de Políticas Fazendárias, do Ministério da Economia, referentes a notas fiscais emitidas entre Estados da federação. A corrente comercial, que corresponde à soma de notas fiscais emitidas e recebidas, ou seja entrada e saídas de mercadorias, entre 2017 e 2021 (até outubro), apresentou um crescimento de 170% - R$ 209 bilhões para R$ 568 bilhões. Ao mesmo tempo, o saldo da balança comercial interestadual saltou de menos R$ 3 bilhões para R$ 29 bilhões em 2021 (dados computados até outubro).
O Espírito Santo manteve relações comerciais superavitárias com 21 Estados em 2021, com destaque para o Rio de Janeiro (R$ 21 bilhões), Bahia (R$ 9 bilhões) e Santa Catarina (R$ 3 bilhões). Já os déficits se concentraram em Minas Gerais (R$ 14 bilhões), Amazonas (R$ 10 bilhões) e São Paulo (R$ 3 bilhões).
Nossas relações comerciais, em resumo, estão concentradas no Sudeste, com São Paulo no topo do ranking de saídas e entradas de mercadorias: 70% do total das compras feitas pelo Espírito Santo e 65% do total das vendas. Somente com São Paulo foram R$ 103 bilhões de vendas e R$ 106 bilhões de compras efetuadas em 2021. Mas o destaque fica por conta do Rio de Janeiro, com quem o Espírito Santo gerou um superávit de R$ 21 bilhões em 2021, 70% do total de superávit gerado.
Imaginemos o Espírito Santo resolvendo os seus gargalos de infraestrutura.