Há, sem dúvida, um consenso generalizado de que 2022 será pior do que o ano que acaba de findar. E será tão verdade principalmente quando lidamos com o mundo da economia. E isso se justifica porque estamos encarando uma dimensão ampla e complexa da realidade, que acaba afetando a todos.
Afinal, nossa vivência, sobrevivência, espaços de interações e evolução, pessoal e coletiva, passam necessariamente por relações que, em diferenciadas intensidades, envolvem trocas econômicas. Ou seja, podemos comparar a economia como a máquina que movimenta o mundo. Se funciona bem, o mundo também vai bem. Já se vai mal, as expectativas tendem a ajudar a torná-lo pior.
A indagação que se reitera a cada ano diz respeito ao que se pode esperar que aconteça no ano seguinte. E atentando especificamente para o caso do nosso Brasil, e no que se refere à economia, o mais comum é começarmos o ano com previsões mais otimistas.
Assim foi, por exemplo, em 2021, quando se esperava um crescimento de 5,5% ou até mais. Se buscarmos o histórico vamos ver que são muito raros os casos em que se inicia uma ano com pessimismo, que é precificado já no final do ano anterior. Este início de ano parece-nos estar entrando para essa estatística rara. Algo que nem é comum em se tratando de ano eleitoral.
Como teste, proponho ao caro leitor a tarefa de prever algo de bom poderá acontecer na economia em 2022. Acredito que não será uma tarefa fácil. Pela leitura que faço do que já circulou até o momento em termos de previsões feitas, especialmente por economistas, pouca coisa nos fornece alento.
Alguns apontam a queda da inflação, porém, não sem afetar o crescimento e consequentemente uma retomada mais segura. Outros ainda acreditam no equilíbrio das contas externas pelo lado das exportações. Em síntese, o radar está antenado em 2023 na expectativa do que vai “rolar” na eleição presidencial, neste ano.
Pelo caminhar dos acontecimentos talvez seja mais fácil acreditar e admitir que aquele algo de bom que poderá acontecer em 2022 seja a própria eleição. Como esse desfecho acontecerá somente em outubro e admitindo-se a hipótese de manutenção da polarização extremada entre os líderes até agora das pesquisas, a economia e o país estarão em permanente estado de estresse.
O problema é que esse estado de estresse tende a gerar expectativas negativas cujos efeitos acontecem no presente, no dia a dia, sob o domínio da cautela e da insegurança, tanto de quem produz e investe, quanto de quem se posta na posição de consumidor. E assim vamos caminhando até outubro, a não ser que algum fato novo aconteça. E este virá do campo da política. Mesmo assim, que pelo menos tenhamos um ano feliz, mesmo na turbulência.