Publicado em 26 de dezembro de 2021 às 15:26
Após a alta de preços alcançar 10,42% em 2021, a maior variação dos últimos seis anos, segundo a divulgação mais recente do IPCA-15 (prévia da inflação), a expectativa de economistas do mercado é por alguma descompressão nos níveis de preços para o próximo ano.
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Grupos com peso relevante na composição do índice que vêm em níveis bastante elevados já começaram a dar alguns sinais importantes de desaceleração, como alimentos, habitação e transportes, afirma André Perfeito, economista-chefe da Necton.>
"Vamos observar nos próximos dados uma melhora na margem dos principais grupos, o que não quer dizer que eles estejam em patamares baixos, longe disso", diz Perfeito, que prevê que o arrefecimento na pressão inflacionária pode ajudar no humor do mercado de forma geral em relação aos ativos brasileiros.>
Ele acrescenta que alguma apreciação do real frente ao dólar também poderá contribuir para manter a inflação em patamares mais comportados em comparação ao observado em boa parte de 2021.>
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O processo de aperto monetário em curso pelo BC (Banco Central), que deve levar a taxa Selic até perto de 11,5% pelos cálculos do economista-chefe da Necton, irá aumentar a atratividade dos rendimentos dos ativos locais sob a ótica do estrangeiro, aponta Perfeito. Ele prevê o real oscilando próximo a R$ 5,40 durante o ano que vem.>
No relatório Focus da semana passada, a mediana das projeções dos economistas consultados pela autoridade monetária aponta para um dólar em R$ 5,57 no final de 2022, com uma inflação de 5,03% no período.>
"Vale notar que não importa tanto o patamar em que o dólar está, mas a velocidade com que ele se desloca. E acho que, a partir de agora, a velocidade vai ficar mais sob controle", afirma o economista-chefe da Necton.>
Na quinta-feira (23), em sessão marcada pela menor liquidez de final de ano, a divisa americana operou próxima da estabilidade frente ao real, cotada a R$ R$ 5,6610 para venda. Quando chegou a ensaiar alguma pressão altista, o BC (Banco Central) entrou no mercado com o anúncio de dois leilões de venda de dólar à vista, com a colocação de um montante de US$ 965 milhões (R$ 5,5 bilhões).>
"A gente acredita que a maior parte do impacto da depreciação cambial para o IPCA já foi", afirma Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter.>
Mesmo que seguisse oscilando próximo ao nível atual de R$ 5,70, o impacto do câmbio para a inflação seria residual, ao redor de 0,05 ponto percentual, calcula a especialista.>
A projeção do Banco Inter, no entanto, aponta para um fortalecimento da moeda brasileira nos próximos 12 meses, com a cotação em R$ 5,50 em dezembro, pela influência dos juros mais altos.>
Nesse sentido, a valorização do real, diz Rafaela, deve contribuir para a provável descompressão a ser observada no nível dos preços, em especial no caso da gasolina, exposta às variações do petróleo no mercado internacional.>
"O câmbio contribuiu para uma pressão adicional na inflação ao depreciar quase 9% no ano. Felizmente, as commodities agrícolas em reais parecem estar estabilizando e o petróleo em reais já mostra uma queda na janela pós-ômicron, ou seja, a inflação externa não deve pressionar o IPCA nos próximos meses", endossa Rafael Ihara, economista-chefe da Mauá Capital.>
Ihara acrescenta ainda estar vendo uma normalização na cesta de consumo com o arrefecimento da pandemia, com uma redução nos gastos com bens e um aumento no consumo de serviços. Isso representa um alívio para a inflação de bens, que ficou bastante pressionada durante a pandemia no mundo todo, aponta o especialista.>
"Para 2022, temos uma estimativa de 5% para a inflação. Naturalmente, uma atividade mais fraca -projetamos um PIB de 0,5%- representa um risco baixista para a inflação. Além disso, a super safra de grãos representa um risco baixista para a nossa projeção para a inflação", afirma o economista-chefe da Mauá Capital, que prevê a cotação da moeda em R$ 5,60 para 2022.>
Já Rachel Sá, chefe de economia da Rico, aponta que, embora os fundamentos macroeconômicos indiquem uma maior atração de capital para o país no próximo ano, as incertezas relativas às eleições irão pesar como uma força contrária para o câmbio.>
A especialista prevê que o dólar estará sob intensa volatilidade ao longo dos próximos meses, com a disputa política bastante presente no dia a dia dos agentes econômicos, mas que, ao final de dezembro de 2022, a cotação será de R$ 5,70, próxima ao nível em que se encontra atualmente.>
"Vai entrar mais dinheiro por conta dos juros altos, mas a incerteza política vai afastar parte desse capital", afirma a especialista.>
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