Tenho por várias ocasiões trazido aqui neste espaço a discussão da temática da complexidade econômica, hoje bastante em voga quando tratamos da competitividade externa e interestadual. Isso referindo-me especificamente ao caso do Espírito Santo.
Inclusive chamando a atenção para evidências indicativas de que a economia capixaba pode ser caracterizada como de baixo grau de complexidade frente a outras economias, com destaque principalmente para o caso de Santa Catarina. Levantei a hipótese de nossa economia estar presa ao que poderíamos denominar de “armadilha da baixa complexidade econômica”.
Essa hipótese já havia sido levantada, embora não explicitamente e nem na forma e expressão atual, por ocasião da elaboração do Plano de Desenvolvimento do Espírito Santo, o ES 2025, em 2005. Na época a comparação que se fazia tomava como benchmark exatamente Santa Catarina, fazendo uso de um indicador que mostrava de um lado a diversidade de produtos da pauta de exportação e de outro o valor médio por tonelada exportada. Essa mesma comparação foi mantida no Plano ES 2030 em 2013.
Nas duas abordagens, é importante deixar claro, ficou evidenciada a importância e o papel das chamadas grandes indústrias exportadoras para a economia capixaba. Afinal, foram elas a proporcionar escalabilidade à nossa economia. Todas elas altamente competitivas e em processos contínuos de superação de crises, de desenvolvimento tecnológico e de inovações. Tanto é verdade que o Espírito Santo é referência mundial em silvicultura e celulose, aço, pelotas de minério de ferro e extração de petróleo e gás em pré-sal.
Em momentos no passado, décadas de 70 e 80, era até comum ouvirmos expressões, não somente no mundo acadêmico, mas também no meio de lideranças empresariais, que as caracterizavam como enclaves, como algo que não fincava raízes locais. Percepções que gradualmente passaram a mudar a partir da década de noventa graças ao PDF – Programa de Desenvolvimento de Fornecedores, capitaneado pela Findes.
Vejo o PDF – Plano de Desenvolvimento de Fornecedores como marco divisor a partir do qual essas grandes indústrias passaram a incentivar e qualificar fornecedores locais de bens e serviços para o setor industrial. Como resultado temos hoje empresas altamente qualificadas competindo nos mercados nacional e até internacional. Somente nominando algumas delas, sem deméritos de tantas outras: Imetame, Estel, Fortes Engenharia e Timenow.
Nesta semana, em evento na Findes, abordando Cenários, Perspectivas e Oportunidades, ArcelorMittal, Vale, Samarco, Petrobras e Suzano puderam expor suas estratégias de desenvolvimento e investimentos para os próximos anos no território capixaba. Sem dúvida, vemos nesses cenários ótimas oportunidades para avançarmos em complexidade econômica e competitividade.