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Economia capixaba

Café no ES: dos "pés descalços" ao novo protagonismo

O café de hoje contrasta com seu passado. O café de hoje é outro café, um novo café, “livre, leve e solto” para voos mais altos

Publicado em 27 de Maio de 2023 às 00:20

Públicado em 

27 mai 2023 às 00:20
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Drone pulveriza lavoura de café em Marechal Floriano
Drone pulveriza lavoura de café em Marechal Floriano Crédito: Laboratório de Mecanização e Defensivos Agrícolas (LMDA)
A cultura do café está nas raízes da formação econômica, social, cultural e também política do Espírito Santo. Por cerca de cem anos manteve-se na condição de principal atividade econômica e presente em praticamente toda a extensão territorial. De meados do século XIX a meados do século XX, partindo do sul, surgindo como arremedo do “baronato” cafeeiro do Rio de Janeiro e Minas Gerais, o café gradualmente adentrou-se pelas regiões de montanhas e abriu novas frentes ao norte. Por onde passou deixou marcas, símbolos, modos de vida, mas sobretudo a cultura do trabalho.
No entanto, da mesma forma que protagonizou e ao mesmo tempo forjou e ajudou a consolidar um modo próprio de ocupação e organização econômica, sociopolítica e em certos aspectos também culturais, o café funcionou como fator inibidor, por que não também encarcerador, a dificultar avanços e rupturas inovadoras. Em síntese, o Espírito Santo no seu processo de desenvolvimento acabou se transformando em seu refém por cerca de cem anos.
Essa percepção de “aprisionamento” chegou-me de forma mais clara quando em conversas entre amigos e pesquisadores alguém afirmou que em um trabalho exaustivo de diagnóstico sobre as condições socioeconômicas no início da década de 60, a conclusão a que chegara o seu autor foi a de que o “Espírito Santo se mostrava como um estado de pés descalços”.
Pelo que me vem à memória, foi meu amigo Dr. Arthur Carlos G. Santos a fazer essa referência, reportando-se ao relatório de pesquisa sob a coordenação do renomado sociólogo José Arthur Alves da Cruz Rios, publicado em 1962. Esse estudo havia sido encomendado num seminário promovido pela recém constituída Findes, sob a liderança de Américo Buaiz, e o governo do Estado, sob o governo de Carlos Lindenberg. Na ocasião Dr. Arthur fazia parte do Conselho Técnico da Findes, ao lado de proeminentes personagens, dentre os quais Eliezer Batista.
Intrigado com a afirmação, busquei por evidências. Acabei encontrando em artigo de Diones Augusto Ribeiro, do Departamento de História da Ufes, sob o título “O Conselho de Desenvolvimento Econômico do Espírito Santo (CODEC). Lá me deparei com a citação que buscava. Nas palavras do próprio Arthur Rios, naturalmente sem a utilização da expressão mais livre de “pés descalços”, em alusão à predominância da população rural, mas que bem mostra e de certa forma explica o relativo atraso no desenvolvimento do estado:
“A ausência de uma mentalidade empresarial no grupo social que lidera o comércio de café prejudica o desenvolvimento de novas atividades baseadas na poupança interna. Assim, o café é um fator adverso à economia estadual em seu todo – pois limita a perspectiva de um crescimento razoável e, além disso, não possibilita a capitalização em atividades pioneiras capazes de diversificar a economia, tornando-a menos vulnerável às flutuações do mercado e às limitações fixadas pela política federal para o produto (RIOS, 1962, p.134).”(em RIBEIRO, Diones Augusto)
O café de hoje contrasta com seu passado. O café de hoje é outro café, um novo café, “livre, leve e solto” para voos mais altos. De atrasos, lá no passado, mostra-se hoje protagonista da superação, do progresso, da inovação, da inclusão econômica e social.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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