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Pesquisas

Afinal, tomar café é bom ou ruim para a saúde?

A cafeína é rapidamente absorvida no trato digestório e metabolizada no fígado. Vai atuar no sistema nervoso central e no periférico, estimulando a liberação de neurotransmissores excitatórios

Publicado em 27 de Abril de 2023 às 00:20

Públicado em 

27 abr 2023 às 00:20
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

Homem de café
Crédito: Shutterstock
Cardiologistas e epidemiologistas da Universidade da California, Berkeley, publicaram no New England Journal of Medicine no mês passado a respeito dos efeitos agudos da cafeína em adultos saudáveis. Observaram que o uso do café provocou arritmias como fibrilação atrial que pudessem colocar em risco seus pacientes, mas notaram menor tempo de sono à noite. Afinal, tomar café é bom ou ruim?
Estima-se que 90% da população mundial consuma cafeína, sob a forma de café ou de chá. Café é, de longe, a bebida preferida na maioria dos países, com exceções como a Inglaterra e Irlanda, onde o chá predomina. Um expresso tem em média 40 mg de cafeína, embora os mais intensos possam ter mais que o dobro dessa quantidade.
Os copos de café americano, pouco comuns entre nós, têm em média 100-140 mg. Os chás contêm quantidades variáveis de cafeína, e os refrigerantes como coca-cola têm em média 70 mg em uma latinha.
A cafeína é rapidamente absorvida no trato digestório e metabolizada no fígado. Vai atuar no sistema nervoso central e no periférico, estimulando a liberação de neurotransmissores excitatórios. Esses efeitos são dose-dependentes e o consumo leva a aumento do estado de alerta, habilidade de concentração e performance cognitiva.
Uma revisão sistemática elaborada pelo grupo Cochrane em 2010 demonstrou de modo irrefutável que, em pessoas privadas de sono, o café aumenta alerta, concentração e energia mental. Algumas pessoas são metabolizadoras lentas e podem eventualmente ter problemas com ingestão de café mais próximo ao horário de descanso, com piora da qualidade de sono.
A cafeína tem muitas outras propriedades farmacológicas. É usada em combinação com vários analgésicos no tratamento de cefaleia. Muitas pessoas têm dores de cabeça quando privadas de café. Uma revisão publicada por pesquisadores da Universidade de Córdoba, na Espanha, mostrou risco menor de desenvolver Alzheimer em bebedores de café. Já professores de Harvard, em Boston, publicaram estudo de menor risco de Parkinson.
Os profissionais de saúde que trabalham com doenças hepáticas sabem que o consumo de café reduz o risco de cirrose. Aliás, tem alguma ação protetora contra efeitos deletérios do consumo de álcool.
Enfim, com cautela de não prejudicar o sono nos metabolizadores lentos, evitando café nesses casos próximo ao horário de descanso, tomar algum(s) cafezinho(s) parece uma excelente pedida. Nosso Estado produz excelente café. Já tomou sua xicara hoje?

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doenças Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaço, reflete sobre saúde e qualidade de vida

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