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Economia

Reindustrialização em questão

Temos que olhar menos para o passado, obviamente sem abandoná-lo, e olhar mais para o futuro. Um futuro que já se nos mostra presente, porém que também nos escapa ou nos foge.

Publicado em 06 de Maio de 2023 às 00:10

Públicado em 

06 mai 2023 às 00:10
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Naturalmente, o conceito de reindustrialização, e o que dele possa decorrer em termos de implicações e aplicações na formulação de políticas de incentivos e fomento, pressupõe-se implícita ou explicitamente a hipótese da ocorrência de seu reverso, a desindustrialização. E aí vem a questão: vem ela ocorrendo ou não? Trata-se de fenômeno global ou não?
Vamos à primeira indagação. Até recentemente, nos últimos 20 anos, não havia tanta dúvida quanto a tratar-se de um fenômeno mais local, regional, que é quando uma região ou país vê parte da sua indústria desaparecer ou migrar. Os Estados Unidos, por exemplo, passaram por esse processo na década de 70, quando empresas abriram filiais em outros países ou mesmo empresas industriais locais perderam competitividade. Fenômeno que se mostrou também presente inclusive nos últimos anos, com a migração principalmente para a China.
E é exatamente a China que vai fazer a diferença em anos recentes. Pelo fato de a China responder por aproximadamente um quarto da produção manufatureira mundial hoje, incluí-la ou não no histórico do indicador que mede a taxa de industrialização leva a resultados diferentes.
Ao incluí-la, tomando-se como referência os últimos 50 anos vamos observar um ganho, embora pequeno. Isso em termos reais, pois em termos de valores nominais a queda chega a ser significativa. Retirando-a do cômputo, a desindustrialização passa a ser significativa. Isso significa que a China abocanhou boa parte da produção mundial da indústria manufatureira em detrimento do resto do mundo.
Mesmo que admitamos que a desindustrialização tenha se transformado num fenômeno mundial, e nesse aspecto já há um certo consenso entre analistas especializados, o mesmo deve ser relativizado. Isso principalmente em razão de que as transformações que acontecem hoje, e aqui me refiro a “indústria 4.0”, contam com forte participação do setor terciário, que inclui comércio e serviços propriamente ditos. Em outras palavras, a indústria 4.0 demanda de forma crescente também serviços e comércio 4.0.
Industrialização
Crédito: Divulgação
Além disso, temos que ter em mente que os conceitos, a metodologia e as métricas que utilizamos para o cálculo das contribuições de cada setor da economia no total da riqueza produzida remontam às décadas de 40 a 60. Ou seja, continuamos a contar com as “caixas” com fronteiras rígidas entre setores. Hoje temos serviços adentrando as indústrias, que pela contabilidade do PIB são tratados como consumo intermediário, e assim adicionam valor ao setor serviços e não à indústria.
Mas qual a razão do título do artigo? Não vejo a questão como de estarmos diante de um dilema, pois não se trata de escolha entre alternativas opostas: “reindustrializar” ou não. Talvez o termo menos adequado seja este, pois pode passar a sensação de que estaremos refazendo o que já vínhamos fazendo e sabíamos como fazer – “know how”.
Agora, temos que olhar menos para o passado, obviamente sem abandoná-lo, e olhar mais para o futuro. Um futuro que já se nos mostra presente, porém que também nos escapa ou nos foge. E nisso não devemos nos prender aos velhos conceitos e métricas, mas sim em meios e formas de capturarmos esse futuro no que este poderá nos guiar e ajudar.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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