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Recursos limitados

"Frenesi do excesso": haveria limites para o crescimento econômico?

Tema envolve questões relacionadas a limitações físicas que o próprio planeta impõe, portanto de recursos finitos, e as enormes assimetrias, representadas sobretudo pelas enormes desigualdades econômicas entre pessoas e países

Publicado em 06 de Agosto de 2022 às 01:00

Públicado em 

06 ago 2022 às 01:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Aprendemos, sobretudo nós, os economistas, que o crescimento é uma obsessão inevitável, e porquanto compulsória, para a sobrevivência das economias tidas como capitalistas. Não haveria assim, inclusive para além do campo das teorias, limites possíveis a essa condição prévia.
Crises, em maior ou menor escala, existiriam como sinalizadores indicativos de falhas e anteparos, funcionando como “freios de arrumação”, para de quanto em quanto entrarem em funcionamento forças transformadoras e corretoras de rotas. No entanto, sem nunca perder de vista a perspectiva de longo prazo da necessidade, compulsória, do crescimento.
Nessa toada, que espelha uma narrativa que podemos afirmar ser praticamente coletiva, nos vemos subjugados a estar sempre olhando e observado o desenvolver do mundo econômico pela ótica da riqueza total agregada anualmente, o PIB. Poucos se atentam ou se preocupam com a possibilidade de se deparar com limites para o seu contínuo crescimento, e mais, em como essa riqueza produzida possa estar resultando em benefícios para as pessoas e sociedades. Estamos falando aqui do crescimento em si e do seu conteúdo, ou seja, para quem vai.
Esses questionamentos não são inéditos. Já foram objeto de atenção e discussão em vários momentos da história econômica mais recente, especialmente em momentos de crise. E agora são retomados por razões que envolvem questões relacionadas a limitações físicas que o próprio planeta Terra impõe, portanto de recursos finitos, e as enormes assimetrias, representadas sobretudo pelas enormes desigualdades econômicas entre pessoas e países.
Aqui vale fazer referência à bela e providencial entrevista dada pelo sociólogo italiano Domenico de Masi à revista EU& Fim de Semana do Valor. De Masi, já bem conhecido aqui no Brasil por obras como “Ócio Criativo”, chama a atenção para o que ele denomina na própria entrevista de mundo do “frenesi do excesso”.
Excesso de riqueza para poucos e falta para multidões. Segundo dados levantados por ele, em 2018, oito pessoas com maiores patrimônios detinham praticamente a metade da riqueza produzida no mundo. Em 2010 esse número era de 300. São os “barões” da nova economia.
De Masi, no entanto, não deixa de expressar seu otimismo quanto ao futuro, desde que se imponha freios ao “frenesi do excesso”. É a saída encontrada por ele para sustar a obsessão do crescimento contínuo num mundo finito. E aqui vale uma referência feita por ele na entrevista, reportando-se a uma fala de Kenneth Building, um dos formuladores da teoria de sistemas: “Quem acredita no crescimento infinito de um mundo finito ou é louco ou é economista”.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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