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Economia

Memórias da hiperinflação: o surrealismo que era a realidade do Brasil

Não podemos imaginar retornarmos a um Brasil onde a coisa mais previsível era que a inflação do dia, do mês e dos anos seguintes seria sempre maior

Publicado em 30 de Julho de 2022 às 01:00

Públicado em 

30 jul 2022 às 01:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Falar de hiperinflação para pessoas de gerações que vieram ao mundo pós-década de 80 não é tarefa fácil. Muito menos ainda fazê-las acreditar. Pode soar como historinha um tanto quanto surrealista, bem distante das percepções que se constroem no momento diante de uma inflação que incomoda, mas ainda passível de algum controle. Em verdade, o Plano Real, iniciado em 1994, gradualmente retirou da “memória” coletiva o pesado legado da hiperinflação no país.
Como acreditar que a nossa inflação chegou a registrar 84% em apenas um mês? Ou que o dinheiro aplicado no mercado financeiro em apenas um dia rendeu cerca de 3,5%? Na época, a pior opção era carregar dinheiro no bolso. Na luta para se evitar a perda de valor da moeda, criou-se a “aplicação” no sistema “overnight”. Ou seja, o dinheiro dormia no banco e acordava inflacionado. O Brasil tinha uma economia totalmente indexada, e isso causava uma verdadeira guerra distributiva para ver quem perdia menos ou ganhava mais. Os pobres eram os que mais perdiam. Aliás, como também hoje, porém em menor escala.
Julgo fazer sentido relembrar esses tempos, pois qualquer ameaça de tê-los de volta deve levantar preocupações e ativar iniciativas que os mantenha longe. Não podemos imaginar retornarmos a um Brasil onde a coisa mais previsível era de que a inflação do dia, do mês e dos anos seguintes seria sempre maior.
Especialmente na década de 80 nosso país era conhecido como o país da hiperinflação, aliás, um fenômeno que ocorreu na Alemanha no final da Segunda Guerra. Em certa ocasião, no início dos anos 80, Herman Kahn, norte-americano, considerado um dos maiores cenaristas e estrategistas no período da Guerra Fria, chegou a afirmar que elaborar cenários para a economia brasileira era a coisa mais fácil do mundo. Bastava projetar a inflação sempre crescendo.
Herman Kahn morreu em 1983, antes da hiperinflação mais alta. Mas, levando a conversa para o mundo das curiosidades, vale registrar que Kahn, no comando da sua empresa a Rand Corporation, chegou a ensaiar um projeto grandioso para a América do Sul, mas com grande impacto no Brasil. Ele projetou a construção de um grande sistema de ligação fluvial entre o Atlântico e o Pacífico, conectando lagos e canais a partir da Amazônia.
Certamente, como estrategista militar que era, Kahn, com o projeto, mesmo que “faraônico”, antevia a necessidade de assegurar a América do Sul sob o domínio norte-americano. A Rand Corporation, é importante ressaltar, trabalhou desde a década de 60 para o governo dos EUA, auxiliando sobretudo na política externa em contraposição à União Soviética.
A Guerra Fria parece estar de volta. Esperamos que a inflação não.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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