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Análise

De olho na economia: os sinais que as eleições de 2022 trouxeram

Resultado das eleições trouxe mensagens fortes e importantes que deverão nortear estratégias e políticas para os próximos quatro anos

Públicado em 

12 nov 2022 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Pessoalmente não tenho dúvidas de que foi no campo da economia que se desenrolou o processo que definiu a escolha final do mandatário do país. Tanto é verdade que foram aquelas pessoas menos favorecidas economicamente, seja pelo desemprego, pela inflação, perda de renda ou pela fome, que majoritariamente orientaram seus votos para Lula. Do lado oposto, nem mesmo o Auxílio Brasil, orçamento secreto, alívio nos preços dos combustíveis e outras tantas benesses, todas de natureza econômica, foram suficientes para reeleger Bolsonaro.
Isso significa dizer que, em termos de estratégias de campanha, vencedor e vencido optaram em concentrar suas apostas no campo da economia. Porém, no limite, é possível admitir-se a hipótese de que a pequena diferença pró-Lula tenha sua origem causal no sentimento anti-Bolsonaro. Aliás, assim como em 2018 foi o antipetismo a eleger Bolsonaro.
Em processos democráticos, eleições, além de eleger incumbentes e representantes nas várias instâncias de poderes, servem de veículos para mensagens, percepções e avaliações dos cidadãos em relação a quem os governam e os ajudam a governar. E é salutar que isso aconteça periodicamente.
E nesse aspecto, as eleições de 2022 trazem mensagens fortes e importantes e que deverão nortear estratégias e políticas para os próximos quatro anos. Podemos reunir essas sinalizações em dois grandes grupos. No primeiro deles podemos agregar questões que dizem respeito à economia, ou seja, no que interfere mais diretamente na vida das pessoas no dia a dia. No segundo, questões que dizem respeito às relações entre Estado e sociedade, numa clara demonstração de distanciamento entre ambos.
Quem governará o país a partir de janeiro terá, portanto, duas grandes tarefas: indicar rumos e construir as bases para um crescimento econômico sustentado e sustentável, e gerar um ambiente capaz de, minimamente, contribuir para a pacificação interna e para a regeneração do tecido social hoje extremamente esgarçado. São duas super tarefas que se interdependem e se interconectam.
Na economia, o país precisa encontrar meios para desvencilhar-se do que os economistas chamam de armadilha da renda média. Nos últimos 10 anos a economia brasileira praticamente ficou estagnada, involuiu em produtividade e viu sua indústria de transformação perder peso relativo na composição do total da riqueza produzida, o PIB.
Um cenário que nos remete compulsoriamente à necessidade de se implementar reformas estruturais, com ênfase nas reformas tributária e administrativa. Mas que também não devem ser vistas como suficientes se não conjugadas com políticas também estruturantes como nas áreas de educação, de ciência e tecnologia, de transformação energética e digital e ambiental, dentre outras.
Nas relações entre Estado, visto enquanto sistema, e sociedade, é preciso encontrar forma ou formas de se reduzir ou pelo menos amenizar o “apartheid” entre os dois lados, cujos sinais já vinham sendo emitidos desde os protestos ocorridos em 2013. Em outras palavras, o Estado que está aí hoje parece não ser capaz de responder a contento as novas demandas e anseios da população.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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