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Sem crescimento

A economia brasileira se sustenta no passado

Em termos de crescimento, é razoável admitir que fecharemos o ano no patamar de 2,7%, taxa menor do que a média mundial, estimada em 3%

Públicado em 

08 out 2022 às 00:15
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

É ilusão achar que a economia vai bem. Pode estar indo relativamente bem apenas por uma fração de tempo, porém, com tendência a encontrar seus limites ao término deste ano. Em termos de crescimento, é razoável admitir que fecharemos o ano no patamar de 2,7%, taxa menor do que a média mundial, estimada em 3%. Um número além do que indicavam as expectativas do mercado nos primeiros meses do ano. Fato que é positivo. Mas maior ilusão ainda é supor que poderemos ter o mesmo desempenho, ou pelo menos próximo, em 2023.
Por óbvio, então, estou admitindo que o desempenho da economia brasileira neste ano, além de ser passageira, portanto, pontual, está sendo suportado fortemente por estímulos fiscais e em alguma medida por reformas, estas sim desejáveis. Porém, são fatores que se depararão com sérias restrições de continuidade no próximo ano. Do lado dos estímulos fiscais, o alto risco fiscal, e do lado das reformas, seus efeitos já foram incorporados pelo sistema produtivo.
Outra ilusão é achar que a economia brasileira teria apresentado um desempenho bom nos últimos quatro anos, ou mais especificamente, no período da pandemia da Covid-19, inclusive melhor que muitas outras economias. Para refutar essa avaliação recorro à matéria publicada no jornal Valor da quarta-feira (5), sob o sugestivo título “Desempenho da economia é herdado e não será duradouro”, que mostra os resultados de pesquisa realizada por Marsilea Gombato e Álvaro Fagundes.
Segundo a referida pesquisa, comparando-se os desempenhos das economias de vários países, medidos pela taxa de variação do PIB real, no período entre o primeiro trimestre de 2020 e o segundo trimestre de 2022, o Brasil aparece na trigésima terceira posição, numa lista de 48, com o crescimento de apenas 3%.
No topo do ranking está a Irlanda, com 28%, seguindo-se a Turquia, com 18%. Na frente do Brasil estão ainda Chile, Colômbia e Estados Unidos. E o mais curioso é que a Argentina com o crescimento de 5,7% se situa na décima sexta posição, mesmo com a inflação, no mesmo período, de 221%.
O fraco desempenho da economia reflete-se no nível de emprego, que melhorou, porém timidamente. De uma taxa de desemprego de 12% em 2019 chega-se no final do segundo trimestre de 2022 a 9,4%, queda de 2,6 pontos percentuais. No entanto, se compararmos esses atuais 9,4% com os 48 países objeto da pesquisa aqui já mencionada, o Brasil situa-se na sexta pior posição. Em posições piores que a do Brasil aparecem África do Sul, Espanha, Grécia, Costa Rica e Colômbia. Os Estados Unidos aparecem com apenas 3,5% de desemprego, considerado um percentual bem próximo de pleno emprego.
Não podemos perder de vista que a economia não vive ou se sustenta de ilusões, mas sim de expectativas.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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