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Impacto no mercado

Com eleições, dólar tem queda brusca e Bolsa dispara. Entenda os motivos

Mercado financeiro doméstico reagiu ao resultado do primeiro turno das eleições deste domingo (2). Veja a análise de especialistas do mercado com as possíveis razões
Agência FolhaPress

Publicado em 

03 out 2022 às 19:21

Publicado em 03 de Outubro de 2022 às 19:21

O mercado financeiro doméstico reagiu com euforia nesta segunda-feira (3) ao desempenho melhor do que o esperado do atual presidente Jair Bolsonaro (PL) no primeiro turno das Eleições 2022, neste domingo (2). Embora a eleição tenha sido a grande responsável pelo bom humor, as negociações locais também refletiram a recuperação das Bolsas no exterior após um tombo no fechamento trimestral na última sexta-feira (30).
No mercado de câmbio doméstico, o dólar comercial à vista fechou em queda de 4,05%, a R$ 5,1760 na venda. Essa é a maior queda da moeda americana desde o recuo de mais de 5% registrado em 8 de junho de 2018. Na ocasião, a divisa americana havia sido abatida por uma intervenção do Banco Central no câmbio e teve seu tombo mais expressivo desde outubro de 2008, segundo a agência Reuters.
Além de considerar a possibilidade de reeleição do candidato de agenda econômica percebida como mais liberal, investidores também avaliam que o resultado apertado da votação - Lula (PT) ficou com 48,4% dos votos válidos, contra 43,2% de Bolsonaro - levará o petista a apresentar nomes para um eventual governo mais alinhados com o mercado.
Bolsa de Valores opera em alta no Brasil
Números do mercado brasileiro nesta segunda-feira foram positivos Crédito: Pixabay
Investidores também pesaram a notícia de que o Congresso será mais conservador a partir do ano que vem. O partido de Bolsonaro ganhou ao menos 23 deputados, chegando a 99, e se tornou a maior bancada eleita na Câmara nos últimos 24 anos.
"Incertezas que o mercado tinha com as eleições aqui no Brasil parecem ter diminuído", observou a economista especialista em câmbio Cristiane Quartaroli, do Banco Ourinvest.
Embora o desempenho do real tenha sido muito superior em relação às demais moedas, algumas divisas de países emergentes também apresentaram fortes ganhos contra o dólar, como os pesos chileno e colombiano.

IBOVESPA SALTA 5,54% E TEM MAIOR ALTA DESDE ABRIL DE 2020

Na Bolsa de Valores brasileira, o índice de referência Ibovespa saltou 5,54%, aos 116.134 pontos, no fechamento desta segunda. É a maior alta desde o ganho de 6,52% registrado em 6 de abril de 2020, quando o mercado se recuperava do tombo provocado pelo início da pandemia.
"O resultado [do primeiro turno da eleição] é visto como positivo, tanto por manter Bolsonaro no páreo, quanto pela disputa mais apertada que, em tese, força Lula a acenar para o centro e conseguir mais apoio", comentou João Beck, economista e sócio do escritório de investimentos BRA.
Ações de empresas com participação do governo, além de papéis de bancos e do varejo, disparavam. Os papéis preferenciais da petrolífera estatal Petrobras saltaram 7,99% e também movimentaram o maior volume do dia.
O principal destaque, porém, foi a alta de 16,94% da Sabesp, a companhia de saneamento básico de São Paulo. Bolsonaro teve forte votação no estado e o seu candidato, o ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas (Republicanos), superou o ex-prefeito Fernando Haddad (PT). Eles disputarão o segundo turno.
Na sexta-feira (30), participantes do mercado já vinham atribuindo a melhora do mercado financeiro doméstico ao aumento da chance de segundo turno entre Lula e Bolsonaro, uma vez que as últimas pesquisas de intenção de voto apontavam que não era possível cravar a vitória petista no primeiro turno.
Rumores sobre a suposta participação do ex-ministro Henrique Meirelles em um eventual governo de Lula também influenciaram o movimento de alta na Bolsa na sexta, que avanço 2,20% naquele pregão.
"O cenário de colocar o Meirelles para tocar a economia parece algo mais plausível", afirmou Beck.
Na ponta inferior do Ibovespa, apenas duas ações caíram: os grupos do ramo de educação Yduqs e Cogna cederam 1,59% e 0,34%, respectivamente. Participantes do mercado comentaram que a perspectiva para esses papéis é melhor em caso de vitória de Lula, devido ao histórico petista com programas de subsídio estudantil como o Pro-Uni.
Ventos favoráveis do exterior também impulsionavam a alta da Bolsa e a queda do dólar nesta segunda.

Os motivos para a alta da Bolsa, por Lélio Monteiro*

"Não somente a alta do Ibovespa, mas o pacote completo de hoje incluiu uma forte queda no dólar e nos juros longos brasileiros, o que nos dá uma indicação do que o mercado financeiro viu no resultado das eleições no primeiro turno, que foi a diminuição do risco Brasil. Vamos explicar: 

Os institutos de pesquisa, que viram sua reputação, já combalida após os erros em 2018, cair em total descrédito nessas eleições, previam a possibilidade de vitória de Lula no primeiro turno. Também indicavam a liderança de Haddad em SP, e mais vitórias de senadores de esquerda nos Estados. Para quem acreditava nos institutos de pesquisa (e boa parte do empresariado se orienta pelos institutos mais conhecidos), foi uma surpresa não só o percentual de votos de Bolsonaro, mas também a vitória parcial de Tarcísio em SP, a eleição de Cláudio Castro no RJ com mais de 30% de diferença para o segundo colocado, e a incontestável vitória de Zema em MG.

No entanto, a maior vitória da direita neste primeiro turno foi no Legislativo. Foi surpreendente o avanço do PL com mais 8 senadores neste pleito, assim como os 5 novos senadores obtidos pelo União Brasil (antigos DEM e PSL) e com as simbólicas vitórias de Moro, Mourão e do astronauta Marcos Pontes. 

Em resumo, o Senado terá um grande número de senadores pré-dispostos a não se alinhar com um eventual governo Lula, e os senadores de esquerda "raiz" agora serão em número muito menor. 

É cedo para tirar conclusões, mas ao que parece os eleitores de direita são mais engajados, compareceram mais às eleições e votaram com mais consciência ideológica no Legislativo. E talvez, nesse cenário, a esquerda ainda viva em uma bolha personalista, onde o candidato seja maior que o partido, o que condiz com o fato de que a popularidade de Lula, hoje, é maior que a do PT. 

Se o número de bandeiras e camisas amarelas era grande nas zonas de votação, as camisas vermelhas eram em menor número, o que alguns analistas chamam de "voto envergonhado" na esquerda. 

Portanto, como resultado deste primeiro turno temos um Legislativo mais à direita, especialmente no Senado, o que poderia dificultar algumas ações de Lula no rompimento do teto de gastos e aumento da máquina pública. 

Aí está o ponto em que o mercado comemorou, trazendo o Ibovespa para cima, dólar e juros para baixo. E mostra a importância das eleições para o Legislativo, já que, sem o Congresso, o Executivo tem mais dificuldade para governar."

* O autor é especialista em finanças e sócio da Pedra Azul Investimentos, escritório de assessoria de investimentos sediado em Vitória-ES


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