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'Flávio Bolsonaro acabou' e 'frenesi vai durar pouco': as reações de políticos aos áudios entre senador e banqueiro do Master

Áudios de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro pedindo recursos para filme sobre seu pai repercutiram no meio político.

Publicado em 14 de Maio de 2026 às 09:34

BBC News Brasil

Publicado em 

14 mai 2026 às 09:34
Imagem BBC Brasil
Áudios de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro repercutiram no meio político Crédito: Getty Images
A notícia de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, investimentos para custear as gravações de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), repercutiu entre pré-candidatos à Presidência e políticos de Brasília.
"Tudo que envolve Master e cifras milionárias precisa ser tratado com total transparência com a população. O Brasil vive um momento em que a sociedade exige clareza nas relações entre agentes públicos, empresas e interesses privados", disse Ronaldo Caiado, que é pré-candidato pelo PSD.
Caiado disse que Flávio "deve responder aos questionamentos sobre o financiamento do filme e as relações com o dono do Master".
"Não sou um homem oportunista. Veja bem, o que nós precisamos, mais do que nunca, é fazer com que a centro direita brasileira não se divida, não rompa essa unidade, para que possamos — aí sim, que é o fundamental — derrotar o PT e o Lula nas urnas no segundo turno."
"Falhas de ordem pessoal devem ser tratadas por cada um que venha amanhã a ser denunciados. Mas o objetivo principal é não mudar o foco. O foco é derrotar o Lula."
O pré-candidato do partido Missão à Presidência da República, Renan Santos, disse que "Flávio Bolsonaro acabou".
"Flávio Bolsonaro acabou. Se o Brasil for um país sério, Flávio Bolsonaro, assim como todos os outros envolvidos no escândalo do Banco Master — isso inclui o Xandão [o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal] — têm de ir para a cadeia."
"Veja: se eu considerar aceitável que Flávio Bolsonaro faça esse negócio com o senhor Vorcaro, eu também vou achar aceitável que o Lula receba Vorcaro na sala presidencial. Também vou achar absolutamente normal que Vorcaro levasse autoridades da República para festas na Inglaterra ou para sua mansão em Trancoso."
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), disse: "Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil.", declarou.
Os irmãos de Flávio Bolsonaro, Eduardo e Carlos, rebateram as falas do ex-governador mineiro.
"Não sequer (sic) ouviu o outro lado, bastou um par de horas para a 'união da direita', o 'potencial vice' se aproveita e larga esta acusação sem fundamentos. Não houve desvio de dinheiro, Lei Rouanet ou recursos públicos. Não seja tão baixo, tão vil, Zema", escreveu Eduardo Bolsonaro no X.
Carlos Bolsonaro escreveu: "Não dá! O engolidor de casca de banana está passando de todos os limites. Cadê os parlamentares para defender a verdade? Não me venha dizer que é ataque. É apenas constatação frente mais uma bizarra apresentação."
De acordo com uma reportagem do portal The Intercept Brasil, o repasse total acordado entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro seria de US$ 24 milhões, o equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época. Desse montante, R$ 61 milhões teriam sido de fato liberados entre fevereiro e maio de 2025.
Diante dos atrasos para os pagamentos restantes, Flávio teria enviado mensagens para Vorcaro cobrando a liberação.
Em uma das mensagens divulgadas pelo Intercept, e que teria sido enviada um dia antes da primeira prisão do banqueiro, Flávio trata Vorcaro com aparente proximidade, o chamando de "irmão" e dizendo: "Estou e estarei contigo sempre".
Daniel Vorcaro está preso, acusado de ter comandado fraudes bilionárias no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro. No momento, ele negocia um acordo de delação premiada.

'Relação estritamente privada'

O deputado federal Mário Frias (PL-SP) também se manifestou sobre o episódio em nota.
Segundo o material analisado pelo Intercept, a primeira aproximação entre Flávio e o banqueiro teria ocorrido em 8 de dezembro de 2024, quando o publicitário Thiago Miranda organizou um encontro entre os dois em Brasília.
Em entrevista ao jornal O Globo, Miranda disse que o projeto do filme foi apresentado a ele pelo deputado Frias, que o procurou para pedir ajuda por estar com dificuldade de financiamento.
Imagem BBC Brasil
Deputado Mario Frias disse não haver "um centavo" de Daniel Vorcaro no filme sobre Bolsonaro Crédito: Getty Images
"Eu tive uma reunião com o Mario Frias, que me apresentou o projeto. Conversei com vários empresários e mostrei pro Daniel [Vorcaro]. O Daniel falou: 'Cara, eu tenho interesse, sim, em patrocinar'. Na verdade, não é patrocinar, é ser investidor", afirmou Miranda ao jornal.
"Levei pro Mario Frias, falei: 'Olha, o Daniel vai entrar'. O contrato foi assinado", disse.
Miranda afirmou ao jornal que a ligação de Vorcaro com o filme não apareceria publicamente.
Em nota divulgada na noite desta quarta-feira, Mario Frias contradiz Flávio Bolsonaro e nega qualquer participação financeira do empresário Daniel Vorcaro na produção.
"Como já esclareceu a produtora GOUP Entertainment, não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse. E, ainda que houvesse, não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco", diz um trecho do comunicado divulgado em seu perfil no X.
"Há uma tentativa permanente de descredibilizar a obra perante a opinião pública, investidores e parceiros do setor audiovisual, muitas vezes por motivações claramente políticas e ideológicas."

Reações de aliados

A direita aliada do clã Bolsonaro adotou o discurso de que Flávio buscou dinheiro privado para um projeto privado, sem desvio de dinheiro público, junto com um ataque à Lei Rouanet.
O ex-vereador Fernando Holiday (PL-SP) minimizou as revelações contra Flávio Bolsonaro.
"Eu não estou entendendo essa zona toda. Qual o problema de buscar financiamento privado para um filme? A outra opção é financiamento público. E, por acaso, para pedir investimento privado, tem que prever os crimes do sujeito? Consultar a Mãe Dinah?", escreveu no X.
O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), também seguiu pelo mesmo caminho e disse que "as explicações apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro são claras, coerentes e objetivas".
"Os fatos dizem respeito à busca de patrocínio privado para um projeto privado, sem qualquer utilização de recursos públicos. Não aceitaremos tentativas de transformar uma iniciativa privada em narrativa política artificial para atingir adversários", afirmou.
Também colocando panos quentes na situação, o ex-chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social do governo Bolsonaro, Fabio Wajngarten, se manifestou.
"Todo frenesi durará poucos minutos. Se acalmem", declarou.
Por sua vez, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) disse que não acredita "em condenações precipitadas", questionou uma suposta falta de repercussão em escândalos ligados à esquerda e defendeu a instalação da CPMI do Banco Master.
"Não acredito em condenações precipitadas, assim como também acredito que transparência é sempre o melhor caminho. Flávio deu sua versão dos fatos e afirmou não haver qualquer ilegalidade em sua conduta", afirmou na rede social X.
"Só há uma forma de elucidar todos os fatos envolvendo o Banco Master e as ações do Vorcaro: a instalação da CPMI. Quem agora silenciar, estará acusando o seu medo e, consequentemente, sua culpa."

Reações da esquerda

O ministro da Secretaria-Geral do governo Lula, Guilherme Boulos (PSOL), disse no X que Flávio Bolsonaro "não tem qualquer condição de seguir como senador, menos ainda de ser Presidente do Brasil".
"Flávio Bolsonaro não tem biografia. Ele tem ficha corrida", escreveu Boulos.
O líder do governo na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT-RS), disse em discurso no plenário que Daniel Vorcaro "é o filho 05" de Jair Bolsonaro e que "não existe filme de R$ 134 milhões".
"Depois dos áudios divulgados pela imprensa, existe um sério risco de fuga, e isso não pode ser ignorado. Os bens do filho do ex-presidente precisam ser imediatamente bloqueados", disse Pimenta.
"O Brasil precisa de investigação rigorosa, responsabilização e justiça."
Imagem BBC Brasil
Ministro Guilherme Boulos disse que Flávio Bolsonaro não tem condições de seguir senador ou de ser presidente Crédito: Getty Images
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que "o povo brasileiro não é idiota para acreditar" em "mentiras" de Flávio Bolsonaro.
"Ora, todo mundo em Brasília sabe que Vorcaro só se aproximava de gente como você da política para ver seus interesses atendidos. O filme mais caro da história do Brasil sem nenhuma contrapartida? Conta outra 01."
O líder do PT na Câmara, deputado federal Pedro Uczai (SC), questionou se houve possível ilegalidade em transferência de recursos.
"Esse recurso encaminhado lá nos EUA para o fundo que tem relação com o advogado de Eduardo Bolsonaro, passou pela Receita, teve cobrança tributária, foi declarado, é ilegal?", disse o deputado. "Ninguém doa o valor de R$ 134 milhões se não tiver relação pessoal, política e até afetiva."
Uczai disse que um requerimento com essas perguntas será encaminhado à Receita Federal.
A líder da bancada do PCdoB, deputada Jandira Feghali (RJ), questionou sobre o suposto valor de R$ 134 milhões do filme.
"O Ainda Estou Aqui não passou de R$ 50 milhões. O Agente Secreto foi R$ 28 milhões de orçamento. Qual é a biografia que tem o senhor Jair Bolsonaro para ter um filme de R$ 134 milhões? É importante que a gente também apure para onde, de fato, foi esse dinheiro. Para o bolso de quem foi, nós precisamos saber", disse Feghali.

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