É sempre impressionante presenciar a triste encenação protagonizada por certos governadores e prefeitos Brasil afora, que se gabam ao declarar: "Eu mesmo, diretamente do meu gabinete, cuidarei da segurança pública!" No entanto, são autênticos maestros da astúcia, incansáveis em sua busca por aumentar seu capital político. Muitos deles assumem cargos eletivos sem possuir qualquer habilidade além de manipular os jogos políticos para avançar em seus próprios interesses, enquanto a segurança pública desmorona diante de seus olhos.
Ao anunciarem com toda a pompa e circunstância que se envolverão pessoalmente na segurança pública dentro dos seus palácios de poder, na verdade acabam deixando claro que não abordarão o assunto de forma técnica, mas sim com fins políticos. Ah, que desastre para a sociedade! Envolver a política na gestão da segurança pública é colocar em risco a vida dos cidadãos e comprometer a eficiência das ações no enfrentamento ao crime.
Esses líderes estão imersos em uma intrincada teia política que distorce suas decisões, manipulam e insidiosamente se entranham nas aguerridas forças policiais, causando estragos profundos em seus pilares fundamentais. A população clama por uma gestão eficiente e profissional nessa área tão vital para a nossa paz e bem-estar. Porém, infelizmente, essa é a triste realidade em que interesses pessoais e partidários prevalecem sobre o bem-estar coletivo.
É inadmissível que a segurança pública se transforme em um espetáculo, no qual encenações teatrais e discursos demagógicos são repetidos incessantemente. É urgente que os líderes compreendam a iminente ameaça à vida e à segurança dos cidadãos e, diante dessa realidade, ajam com discernimento e responsabilidade.
A cena que se desenrola diante de nós é um verdadeiro drama shakespeariano, em que políticos e aspirantes a políticos se entregam a seus mesquinhos interesses pessoais e vaidades desmedidas, aproveitando-se da calamidade da violência. Os protagonistas dessa trama se afundam no egoísmo, abandonando por completo a noção do bem comum. Cegados por sua própria vaidade, ignoram as consequências nefastas que recaem sobre a sociedade e atuam como se estivessem em um palco.
Caro leitor, no solo brasileiro não há terremotos que abalam nossa estabilidade, nem explosões que ecoam de grupos terroristas, e tampouco se erguem trincheiras contra outras nações. No entanto, enfrentamos uma guerra cruel e implacável contra a violência, uma batalha que, ao longo de pouco mais de duas décadas, ceifou impiedosamente a vida de um milhão de compatriotas. A violência que assola o Brasil é tão letal que supera em mortes os mais cruéis grupos terroristas que assombram a face da Terra.
Podemos afirmar que o Brasil é uma terra onde a violência se tornou a maior ameaça à nossa paz e segurança. Enquanto muitos países enfrentam conflitos externos, nós lutamos contra um inimigo interno, invisível, implacável e que parece irrefreável.
O terror de ser alvo de um delito, seja um roubo, um sequestro ou até mesmo um assassinato, atormenta a mente de todos. A criminalidade cresce a cada dia, os índices de violência atingem níveis apavorantes e nossos representantes políticos continuam a jogar o jogo da política.
A atual situação da segurança pública é um verdadeiro caos. A busca desesperada por votos nas próximas eleições só alimenta a ineficiência na gestão e transforma tudo em um espetáculo. É hora de remover esse obstáculo do caminho. Basta de slogans vazios, propagandas e transferência de responsabilidades sem qualquer solução real. Nós, cidadãos, temos o direito e o dever de exigir mudanças nesse sentido. A segurança pública deve ser tratada com a seriedade que merece.
É urgente estarmos atentos à dura realidade que enfrentamos aqui no Espírito Santo. As facções criminosas estão se tornando cada vez mais audaciosas, violentas e determinadas a conquistar territórios. Infelizmente, temos um exemplo alarmante bem próximo de nós: o Rio de Janeiro. O Estado vizinho é precursor do que pode acontecer por aqui também. A milícia carioca, que domina a Zona Oeste da cidade do Rio, acaba de desencadear mais uma crise na segurança pública local. E para piorar, o governador do Rio, Claudio Castro, tomou uma decisão desastrosa ao abolir a própria Secretaria de Segurança Pública, enfraquecendo ainda mais a gestão estratégica e a integração das instituições policiais.
As milícias, formadas por uma aliança de ex-policiais e policiais corruptos, já espalharam seu domínio não apenas pela Zona Oeste, mas também por uma vasta extensão da Baixada Fluminense. Esses grupos criminosos também exercem um poder decisivo sobre os redutos eleitorais da política fluminense. A situação está completamente fora de controle por lá.
Eis que o ilustre governador do Rio, em sua infinita sabedoria, decidiu enfraquecer sua própria estrutura de segurança estadual, parte rumo a Brasília, de chapéu na mão, pedindo ajuda para fortalecer a estrutura. E é claro, não poderia faltar a cobertura jornalística e propagandística para embelezar sua nobre jornada. É realmente admirável a habilidade desses governantes em encenar esse drama trágico. Bravo!