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Violência

Como reverter a tendência de aumento no número de homicídios no ES?

Na segurança pública capixaba, os processos e métodos não devem ficar em um estado de mesmice, estagnados, sem nenhum tipo de evolução

Publicado em 25 de Outubro de 2021 às 02:00

Públicado em 

25 out 2021 às 02:00
Nylton Rodrigues

Colunista

Nylton Rodrigues

Homicídio na Ilha do Boi (15/8/20)
Em 2021, os assassinatos seguem assustando tanto quanto no ano passado Crédito: Vitor Jubini
Em 2020, os homicídios no Espírito Santo voltaram a crescer. Em 2021, os assassinatos seguem assustando tanto quanto no ano passado. Nesse momento crucial que nos coloca diante de um cenário de terror, é essencial avançar com a metodologia de trabalho e compreender a relevância da continuidade e aperfeiçoamento das boas práticas. É previsível que o esforço repetitivo de uma metodologia, aplicada por muito tempo, seja levada ao desgaste. Por isso, os processos e métodos não devem ficar em um estado de mesmice, estagnados, sem nenhum tipo de evolução.
Para reverter a tendência de aumento no número de homicídios, em primeiro lugar não se pode perder o foco do objetivo geral da condução da gestão da segurança pública capixaba, que é de reduzir os homicídios dolosos. Em segundo lugar, são as evoluções dos objetivos específicos que podem maximizar a eficiência dos esforços governamentais. Pois bem, de uma forma pragmática quais seriam esses objetivos específicos que poderiam receber atualizações:
1º - A delimitação dos espaços geográficos comuns para a atuação das Polícias Civil e Militar, o que chamamos de compatibilização de área com a finalidade de promover a coincidência de suas áreas geográficas de planejamento e atuação. Essas podem ser impactadas por um novo sistema de definição e gerenciamento de metas, com pagamento de valores pecuniários aos policiais em efetivo serviço das regiões integradas cumpridoras de metas dos indicadores estratégicos de criminalidade, principalmente os relacionados às reduções da criminalidade.
2º - As reuniões periódicas de monitoramento dos indicadores criminais estratégicos, que ocorrem no Palácio da Fonte Grande, podem evoluir para reuniões itinerantes por regiões integradas, para identificar os problemas e necessidades locais. Isso também proporciona maior tempo de fala aos gestores locais, valoriza a participação do Ministério Público e poder judiciário local, e possibilita a participação de representantes da sociedade civil organizada das cidades. Além de demonstrar a valorização do gestor com os esforços locais.
3º - Fortalecer o escritório de projetos da Sesp, criando um comitê de monitoramento e avaliação com o objetivo de elaborar um portfólio de projetos prioritários, com minucioso acompanhamento, robustecendo-os e fortalecendo-os. Temos como exemplo: conselhos comunitários de segurança, disque-denúncia, patrulha Maria da Penha, programa educacional de resistência às drogas – PROERD, patrulha escolar, projeto homem que é homem, papo de responsa, força tática, ciclopatrulhamento, bases móveis comunitárias, entre outros.
4º - Criação e construção de um Centro Integrado de Inteligência, fazendo funcionar em um mesmo espaço físico representantes da inteligência de todas as organizações policiais e guardas municipais que operam no Espírito Santo, com aquisições de soluções tecnológicas para fortalecer a atividade e aquisição de licença de software de análise criminal e estatística.
5º - Promover políticas públicas sólidas e permanentes que ocupem socialmente os territórios historicamente marcados pela violência urbana, articulando e promovendo uma rede de oportunidades de educação, de cursos de capacitação profissional, de empreendedorismo e de renda para jovens, aumentando o percentual de meninos e meninas estudando em tempo integral e trabalhando.
Por fim, é necessário firmar o rumo, focar na gestão por resultado e parar de abraçar o caminho fácil da transferência de responsabilidades. A redução da violência se alcança com trabalho integrado das instituições envolvidas na política de segurança, dos órgãos responsáveis pelas políticas sociais, sobretudo aquelas voltadas para os jovens em situação de vulnerabilidade, e com a participação efetiva da sociedade civil. O que todos querem é resultado para se viver em paz, evitando o terror de bombas e sêxtuplos homicídios pela cidade.

Nylton Rodrigues

Foi secretário estadual de segurança pública e comandante geral da polícia militar. É especialista em Segurança Pública pela Ufes. Neste espaço, produz reflexões sobre políticas públicas para garantir a segurança da população

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