Ninguém jamais imaginou que eu pudesse delirar tanto assim. A verdade é que numa manhã de sábado, muito bem acompanhado por um escorreito Pinot Noir, entrei em alfa. E com muita nitidez enxerguei essa possibilidade pra lá de absurda: a Rainha da Inglaterra liderando as pesquisas de voto para a Presidência do Brasil.
Sem o título de nobreza, of course. A princípio, apenas Elizabeth. Mas depois de trabalhada no marketing de campanha: Beth, da casa grande e da perifa. Vai dizer que você não votaria nela? Com o Abba cantando "Dancing Queen", o hino oficial da campanha? Claro que votaria e, no primeiro turno, ela já estaria eleita.
A sua competência e o seu irresistível glamour não têm pra ninguém. Como disse Heloísa Périssé aplaudindo o ator Ney Latorraca: ”Ney é como um bom perfume: chega e toma conta”. Exatamente assim é Elisabeth.
Dirão os senhores: uma governante que está há setenta anos no poder vai aceitar um mandato de cinco anos? Claro que vai. Ela anda louca pra encarar uma curta temporada. Menos trabalho, menos problemas e mais nenhuma coroa lhe espetando a cabeça.
Beth, da casa grande e da perifa, chega trazendo bons exemplos para nós, brasucas. Ela sabe como poucos administrar uma família. Seus filhos não lhe trazem problemas. Não falam bobagens e nem se metem em sociedades suspeitas. Mãe enérgica, ela traz a filharada no cabresto. Não apenas os filhos. Quando aquele neto ruivinho começou a criar caso ela cuidou logo de exportá-lo pra América.
Bem diferente de todos os nossos candidatos, Beth é educada. Usa e abusa das boas maneiras. É extremamente discreta, gentil e amável. Outro marcante diferencial: ela fala inglês fluentemente. Se precisar, fala francês também. Mas como ninguém é perfeito, a hoje rainha entorna quatro drinks por dia: um gim antes do almoço, uma taça de vinho durante a refeição, um dry martini depois e uma taça de champanhe antes de se deitar. Eu entendo. Aguentar aqueles lordes, duques e duquesas, aquela gente futricando à sua volta... só tomando umas e outras mesmo.
Outro fato muito positivo quando de sua mudança para Brasília é a sua longa experiência com palácios. Claro que ela já está acostumada com os fantasmas do Palácio de Buckingham. Mas pelo que se sabe o Palácio da Alvorada não tem fantasmas. Tem muita é assombração. Mas se ela trouxer a Camila Parker, era uma vez o sobrenatural. Camila é brava e odeia concorrência.
Minha candidata dos sonhos tem outras marcantes diferenças com a turma daqui. Ela jamais se hospedaria em uma chácara emprestada. Nem pensar. Em um triplex então... nunquinha. Elizabeth também não come pastel em botequim. Não se senta com as pernas abertas, não fala palavrão, não mente e é extremamente econômica: quando vai à rua sobe numa carruagem. Motocicleta, Deus me livre!
E sempre que pode, dá uma banana para o centrão, de Londres, e se manda para o seu sossegado castelo no campo. Mas é preciso definir logo o seu vice. Não pode ser um chuchu qualquer e nem um amiguinho da tropa. Não vai rolar. O ideal é alguém que sacuda a nossa imensa plateia de eleitores. Pensei em Ivete Sangalo. Que tal?