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Crônica

Nem todas as filas são obra do diabo

A fila para a sessão das oito, aos sábados, do Cine São Luís, aquele do Parque Moscoso, era inigualável. Havia amigos por toda a calçada. Muitos risos, muita fofoca e muita pipoca. Uma festa

Públicado em 

24 set 2023 às 01:00
Marcos Alencar

Colunista

Marcos Alencar

Amarildo
Crédito: Amarildo
Ninguém suporta filas. Não importa o tamanho delas, o motivo, se faz frio, se chove ou se o sol está de lascar. Desde aquelas em que marcamos presença para tomar vacina e até mesmo as filas onde esperamos sentados, às vésperas do aumento dos combustíveis, para abastecer o carro.
Filas organizadas, com senha, tentam parecer mais suportável. Mas não são. Filas que começam a ser formar na madrugada e é preciso levar cadeiras para aguentar melhor o tranco. Filas para transplantes de órgãos, sem falar nas seiscentas mil pessoas que esperam por consultas, exames e cirurgias no Sistema Único de Saúde. Filas são mesmo um inferno.
Mas exceções existem. E é quando nós podemos ir à forra. Viram na televisão aquele mundo de gente na longa fila para pegar um abadá do Vital? Cada um mais sorridente que o outro. São as filas do bem. Fila para entrar em estádios de futebol, fila de crianças carentes esperando a vez de receber uns brinquedinhos de Natal, sortudo na fila, em dia de grande movimento nas lotecas, para buscar o troco do bolão da quina, não dá pra reclamar.
As primeiras filas felizes da minha vida aconteceram nos primeiros anos do curso primário. No pátio, quando tocava a campainha a criançada saía em disparada para disputar o primeiro lugar na fila. Depois de cantado o hino, era hora de partirmos felizes para a sala de aula.
A fila para a sessão das oito, aos sábados do Cine São Luís, aquele do Parque Moscoso, era inigualável. Havia amigos por toda a calçada. Muitos risos, muita fofoca e muita pipoca. Uma festa.
Outra fila inesquecível arrastou multidões bem distante daqui. Em Nova York, mais precisamente na direção daquele teatro da Broadway, para aplaudir “Liza With a Z”. Brilhando no palco, ela, a filha de Judy Garland, Liza Minelli. Unforgettable.
Dezembro, início da temporada de verão em Guarapari. Quando as famílias chegavam com a mudança, depois de ajeitar a casa corriam todos para a lojinha da fábrica de tamancos. Era o que se usava. Mas naquele verão um pequeno grupo de cariocas chegou ditando moda. Nós pés o grande lançamento do ano, as “sandálias japonesas”.
E na areia das praias só se falava nisso. Onde comprar? Quanto custa? Pega mal homem usar? Em pouco tempo um esperançoso boato dizia que a Casa Macedo iria receber as incríveis sandálias na semana seguinte. E... fila que não me sai da lembrança... ia pela calçada da loja até a entrada de Iriri... era o que parecia. Dias depois chegava ao fim, o toc toc, a caminho da praia. Tamancos nunca mais!
Mas a mais curiosa das filas em que entrei rolou também em Guarapa. Nas Três Praias. Foi onde um mundo de gente se amontoou para conferir a versão capixaba do Festival de Woodstock. Uma alucinação fantástica, saída das cabeças de Rubinho Gomes e Antônio Alaerte. Um mundo de gente fazendo um mundo de coisas e ao mesmo tempo. Tinha até cantores no palco. Mas o melhor da festa era a fila: ela não andava! Mas e daí? Aquela gente toda embolada, cantando, fumando, bebendo, falando mal, falando bem... era a verdadeira festa... off side. "Tipo assim”, como se diz hoje em dia.

Marcos Alencar

Marcos Alencar é colunista de A Gazeta

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