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Crônica

Mamãe mandou dizer para votar neste daqui

Não sonho com novos Ruis Barbosas atuando na política brasileira. Meio Rui já seria lucro

Públicado em 

07 mai 2023 às 00:01
Marcos Alencar

Colunista

Marcos Alencar

Crônica
Crédito: Amarildo
Uma das maiores figuras públicas deste Brasil, Rui Barbosa, foi mais que um escritor. Rui foi brilhante orador, advogado, diplomata e um político invejável. Só no Senado ele atuou por 32 anos. Mas eu diria mais de Rui. Foi ele quem enxergou primeiro o tipo de gente que infelizmente já vinha brotando na vida pública deste país.
É dele este trecho de um discurso proferido no Senado Federal: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”
E ele estava cheio de razão. Dê uma espiada à sua volta. Pra cima, pra baixo, pros lados... a baixa qualidade de homens públicos em nosso país salta aos olhos. É de dar dó. Pior, é de fazer chorar.
Ainda cursando o ginasial fiquei conhecendo um lado B da literatura brasileira chamado linguagem bestialógica. Faz tempo. Era uma época em que, tirando fora os radioamadores, o telegrama era o mais veloz meio de comunicação. Numa disputa entre colegas de classe cheguei a decorar uma pequena introdução ao que seria um discurso de saudação à classe.
Dizia o seguinte: “Neste solene momento em que o sesquipedal hipocondríaco fala, desejo anematizar inconstitucionalmente a deblateração evolutiva dos esplenálgicos”. Como se percebe este texto não significa absolutamente nada. Serve apenas de espelho para a qualidade do que pensam, falam e realizam nossos homens no poder.
O atual presidente da República andou dizendo que deficiente mental tem mesmo é problema de parafuso frouxo. O anterior foi para as redes sociais desacreditar as instituições democráticas e botou a culpa num comprimido que tomou. Os deputados capixabas aproveitaram uma sessão da Assembleia Legislativa, onde se discutia a proteção dos animais, e aprovaram um auxílio-alimentação pra eles próprios.
Para que não pareça que sou o dono da verdade, pense você um pouco e diga-me o nome de três políticos que merecem todo o seu respeito. Três... difícil, não é mesmo? E quando se consegue nominá-los eles acabam pisando na bola. Veja só o caso dos assassinatos em escolas públicas. Todo o quadro político do país se juntou para atacar o problema. Não propriamente o problema, mas as possíveis novas vítimas da bandidagem.
Todos a favor de portões eletrônicos e mais guardas de segurança nas escolas e... só. Se alguma voz se levantou pedindo providências ou mesmo apontando caminhos para frear essa criminalidade crescente, eu desconheço. Nossos homens no poder partem unicamente para a defesa de possíveis novas vítimas. O enfrentamento dos bandidos, deixam por conta de Deus. Não por descaso apenas. Mas por falta de uma visão inteligente.
Não sonho com novos Ruis Barbosas atuando na política brasileira. Meio Rui já seria lucro.

Marcos Alencar

Marcos Alencar é colunista de A Gazeta

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