Acho uma impropriedade dizer que temos à nossa volta mais mentirosos do que mosquitos da dengue. Num primeiro momento, mentirosos podem até nos enganar. Mas os mentirosos não podem ser amontoados como se estivessem numa Arca de Noé, todos juntos e misturados. E não podem porque há mentirosos, mentirosos e mentirosos.
I) Numa possível classificação desses especialistas em manter a verdade no freezer, a medalha de ouro iria para os mentirosos do tipo “Juro por Deus!” Segundo especialistas esses pecadores correspondem à quase totalidade dos safados. Todos usando e abusando de Deus como um invencível advogado de defesa. Mas mais da metade da população não acredita nessa fake news. São pessoas bem informadas e que sabem muito bem que Deus não pode atuar nos tribunais brasileiros. Deus não tem inscrição na OAB.
II) A medalha de prata provavelmente já tem dono: os mentirosos extremamente apaixonados por uma bela fofoca. É a perigosa turma dos “pode perguntar pra fulano”. Quando o interlocutor não acredita de primeira, eles apelam para o testemunho de amigos ausentes. No caso do tal amigo ser um político do tipo mais que manjado, ao invés da medalha de prata eles deveriam receber apenas sinceras e sonoras vaias.
III) A medalha de bronze certamente já tá na mão de um raro tipo de mentiroso doméstico. Um crime hediondo, de responsabilidade exclusiva de irmãs cruéis. Essas afilhadas do demônio têm um DNA maligno que as leva a praticar a mentira por conta de uma suprema inveja da irmã bonita, simpática e encantadora. Justo o contrário dela. A Irmã Cruel é feia, mal humorada e desumana. Sempre que a irmã bonita se arruma para sair a feia deixa de lado sua essência besta-fera e assume as asinhas do anjo da guarda: “Ah, troca este vestido... vai com aquele estampadão vermelho... ele deixa você muito mais bonita!" A irmãzinha acredita, troca de roupa e vai pra festa. Onde, bizarramente vestida, é motivo de chacotas. E volta pra casa derrubada com aquele cruzado de direita da desprezível irmã cruel.
IV) Aquela turma perigosa que capricha nas ameaças merece o Diploma de Honra ao Mérito, em papel couchê, pelo o empenho demonstrado na área da difamação autoprotegida. Funciona assim: o cretino cinco estrelas cata na rua o ouvido de um amigo fofoqueiro e entope a Trompa de Eustáquio dele com um monte de mentiras cabeludas sobre um amigo em comum. Mas ameaça: “Se você disser que fui eu quem te contou, eu te desminto na frente de todo mundo e nunca mais te conto nada.”
V) O Super Troféu de Ouro, incrustado de diamantes trazido do Iraque, depois do imposto pago à Receita Federal, deveria ir para todas as queridas mãezinhas deste país. Pela capacidade inventiva que as levou a abrir as cortinas do coração para a mais saborosa e terna mentirinha preferida da criançada: o Coelho da Páscoa. Só mesmo o amor de uma mãe seria capaz de fazer um coelho botar ovo...