Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Crônica

A bandidagem vai ver o que é bom para a tosse

Se um único guaiamum conseguiu mandar um jato de volta aos ares, o que um batalhão de guaiamuns será capaz de fazer contra os criminosos?

Públicado em 

02 abr 2023 às 00:10
Marcos Alencar

Colunista

Marcos Alencar

Ilustração
Crédito: Amarildo
Não demora muito e as nossas ruas terão mais bandidos do que postes. E essa turma não corre do serviço. Os assaltos agora são "all day and night". Para não deixar ninguém se sentindo desprezado, eles dobram o turno. Ou seja, o pessoal da barra pesada trabalha com afinco para alcançar a meta sonhada: 100% de abordagens lucrativas até o Natal. Quando, como se comenta por aí, todos partirão num cruzeiro pelas Ilhas Gregas, tomando champanhe francês e ouvindo Mano Brown. Afinal, ninguém é de ferro.
Sim, eles são bandidos, mas temos que reconhecer que são dotados de uma invejável faceta cultural, que merece a nossa admiração. Eles são obstinados colecionadores. A cada assalto levam dinheiro, joias e.... celulares. Todos eles são fissurados nesses orelhões de bolso. Pelos meus cálculos, cada bandido da Grande Vitória deve ter em seu museuzinho doméstico umas dez arrobas desses aparelhinhos.
Uma invejável coleção que, como dizem à boca graúda, poderá ser admirada no futuro Gran Mucero, o Museu do Celular Roubado, que substituirá aquela construção empacada e que sonhava um dia ser o Cais das Artes. Viu só? Agora está explicado por que eles catam os nossos celulares diariamente. É um projeto cultural.
Mas essa turma maldita de colecionadores que vá adquirir seus celulares em outra freguesia. Ninguém aguenta mais doar um celular por dia, acrescido de grana, anéis, cordões e medo. Como o atual sistema de segurança não tem conseguido dar conta do recado, lanço aqui uma ideia para pôr um fim nesta batalha. Uma eficiente e invencível brigada capaz de dar um basta na ousadia desses colecionadores: o SEM - Super Esquadrão do Mangue! Se um único guaiamum conseguiu mandar um jato de volta aos ares, o que um batalhão de guaiamuns será capaz de fazer?
Imaginem então a cena: cinco mil guaiamuns, azuis de raiva, em formação de guerra, apoiados à frente e nas laterais por terríveis ouriços, com seus espinhos venenosos. Entre um pelotão e outro, caranguejos-violinistas (aqueles pequenos, com uma das puãs maiores que os seus corpos) ligeiros como eles só, sua função é correr para todos os lados confundindo o inimigo. 
À beira mar, em vigília permanente para evitar possível fugas, centenas de peixes espadas e arraias raivosas. Como observadores aéreos, poderão ser trazidos, através do Programa Mais Peixes, centenas e centenas de peixes voadores holandeses, muito comuns no litoral de Pernambuco. Eles informarão do alto o movimento dos bandidos pelos becos, ruelas e demais cantos mal iluminados da cidade. Os criminosos vão ou não vão ser ferrados de vez? Ferrados e mal pagos. E sem metralhadoras, sem porradas, sem facas, sem pistolas, sem fuzis e sem dó nem piedade.
Os guaiamuns mais debochados ainda poderão remedar os bandidos: “Perdeu mané!!”

Marcos Alencar

Marcos Alencar é colunista de A Gazeta

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Arthur e Ricardo Ferraço, Lélia Salgado, Renato e Virginia Casagrande, Mila Casagrande e Fabrício Noronha
Cais das Artes abre as portas com exposição "Amazônia" de Sebastião Salgado
Imagem de destaque
Viva Seu Natal e sua oficina em Santa Lúcia
Imagem de destaque
Prefeito, deputado e governo prestigiam entrega de… cortador de grama

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados