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Crônica

Quando a inteligência é quem aperta o gatilho

Tive amigos invejáveis, verdadeiros repentistas nesta arte do falou e disse. Brincando ou dizendo verdades, eles metiam sempre um gol de placa para a alegria da galera

Públicado em 

16 abr 2023 às 00:15
Marcos Alencar

Colunista

Marcos Alencar

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Crédito: Amarildo
Mentes brilhantes têm sempre um comentário notável, preciso e único, quando estimuladas. Tive amigos invejáveis, verdadeiros repentistas nesta arte do falou e disse. Brincando ou dizendo verdades, eles metiam sempre um gol de placa para a alegria da galera.
No turbulento Festival de Verão de Guarapari, em meio à muvuca que gravitava em seu redor, encontrei Julinho Batista, um amigo mineiro, muito famoso com as mulheres. Louro, alto e de olhos azuis, ele estava sempre muito bem acompanhado. Menos naquela noite. A garota extremamente menos bonita do lugar estava pendurada no pescoço dele. Parei para dar-lhe um abraço no momento em que ela deu uma saidinha pra falar com uma amiga. Aproveitei e dei uma gozada nele: “Júlio, você merece coisa melhor...” Ele emendou o pé na bola: “Ora, meu amigo, tá chegando, deixa vir!"
No caldo de cana da feira de Jardim da Penha, comprando uns pasteis, presenciei a conversa de dois coroas sobre nossos governantes. E um deles deixou a frase que passou a régua na discussão: “De pato a ganso, são todos iguais. Todos comem milho, estão sempre cacarejando e, volta e meia, sujam o terreiro".
Apesar da relutância já esperada, certa vez eu arrastei o saudoso jornalista Toninho Rosetti para tomarmos uma cerveja. Toninho sempre foi elitista nas suas preferências mundanas. Da cor discreta dos carros à mais que perfeita safra dos vinhos. Mas levei-o a um boteco fedido que varava a noite em São Torquato. Foi reclamando da Praia do Canto até lá. Ficamos por pouco tempo naquele furdunço. Ao voltarmos para o carro, eu perguntei: “Que tal o boteco?"  Ele deu um muxoxo e não perdoou:  “É... altos baixo nível.”
Não sei se ainda existe o bar da Conceição, ali do lado da Gazeta. Depois do expediente muitos colegas passavam por lá pra tomar uma cerveja, falar bem de umas e mal de outras pessoas e também jogar uma sinuquinha. Numa daquelas noites, o grande e saudoso Paulo Maia estava lá matando todas as bolas da vez.
Já na entrada do bar eu saquei os olhares de uma mocinha bonita na direção do Paulo. Quando passei por ele cheguei perto do seu ouvido e entreguei: “Olha lá no cantinho do balcão. Aquela morena linda não tira os olhos de você”. Ele se debruçou sobre a mesa e, dando uma espiada por debaixo do braço esticado, sapecou: “Maninho, tô fora. Conheço a figura. Aquilo é igual livro de matemática: só tem problema!” E em seguida matou a bola sete.
Outra grande criatura era o Bolinha. Operador de som e muito querido por todos os colegas de trabalho que atuavam na área técnica da TV Gazeta. Espaço todo compartimentado, com vidros transparentes, permitia uma visão completa do ambiente de transmissão. Numa época em que ainda se fumava no interior da empresa, nesta área não era permitido. Apenas num corredor estreito, que levava a outros departamentos da emissora. Ali, de pé e encostados na parede, cabiam de três a quatro pessoas fumando. Atravessando aquele fumódromo, um belo dia um coleguinha me deu um toque: “Marcos, sua braguilha está aberta”. Agradeci e no momento em que fechava o zíper, Bolinha chutou pra gol: “Aí, Marcos, se fosse sapateiro olhava pros seus pés...”

Marcos Alencar

Marcos Alencar é colunista de A Gazeta

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