Durante interrogatório no julgamento que ocorre nesta quarta-feira (20), o ex-PM Lucas Torrezani negou que tivesse intenção de matar o músico Guilherme José Rocha Soares no dia 17 de abril de 2023, crime do qual ele é acusado.
“Se fosse a intenção, teria feito um tiro mais letal, com disparos no peito e na cabeça. Mas atirei no braço esquerdo para evitar que ele se aproximasse da minha arma”, disse Lucas, acrescentando que fisicamente a vítima era mais alta e mais forte do que ele.
Ele afirmou que a vítima, ao entrar no hall para falar com as mãos para trás, indicou uma atitude que, nos treinamentos policiais, pode ser interpretada como de risco.
“Não sabia se ele estava com uma arma ou o que tinha em mãos. Ele veio em minha direção tentando alcançar a minha arma e fiquei entre ele e uma pilastra. Fiz um disparo no braço quando ele já estava com a mão na minha cintura. Minha ação foi para defender a minha vida e a dos meus amigos”, relatou.
E pelo fato de só ter disparado um tiro, afirmou que recebeu uma advertência verbal da Corregedoria da PM. “A técnica aprendida na academia indica que teria que ter disparado dois tiros”, relatou.
Lucas informou ainda que o músico, quando os procurou (se referindo ao grupo de amigos), não pediu a redução do barulho. “Nas duas vezes ele dizia apenas: ‘Vocês estão zoando com a minha cara’. E não falou nada sobre barulho”.
Em outro ponto relatou que o músico, quando os procurou, estaria sob o efeito de drogas. “Laudo toxicológico anexado ao processo revela que ele estava sob efeito de álcool, cocaína e outras drogas”, afirmou.
Ele alega que acionou a Polícia Militar, logo após o tiro, e o Samu/192, e que não permitiu a entrada das pessoas no local por não saber quem eram e para proteger o local do crime. O ex-PM também negou ter passado a noite bebendo com os amigos e que o copo que estava em sua mão era de energético.
Por fim, argumentou que tem um filho e que vem de uma família de policiais militares e civis.