Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Crônica

A farra dos cretinos

Os modismos que volta e meia assombram o nosso bom gosto, mas que tomam conta da vida ao redor, talvez tenham uma explicação simples de como encantam e se multiplicam em todas as direções

Públicado em 

10 jul 2022 às 02:00
Marcos Alencar

Colunista

Marcos Alencar

Crônica
Os modismos Crédito: Amarildo
Um novo comercial da Claro, nas rádios, me leva a imaginar coisas. E coisas preocupantes. Se não, preste muita atenção na oferta da empresa. A Claro propõe “digitalizar o seu negócio”. O meu?! Eu, hein... no que será que isso vai dar? E se queimar a placa mãe? E se nunca mais locar? Melhor não dar ouvidos e deixar as coisas no analógico mesmo. Cada uma! Quá...
Matutava sobre essa novidade na fila do caixa, na padaria. À minha frente quatro mulheres arrumadinhas e cheirosas. Todas exibindo um piercing preso ao nariz, infernizando a respiração delas. Assoar então, nunca mais. Seriam funcionárias de alguma fábrica de argolas? Que nada... todas elas estavam orgulhosas por estarem... na moda!
Já na calçada, cruzo com quatro homens, meio que uniformizados. Todos, absurdamente todos, ostentando não um vistoso rabo de cavalo, mas um cotó, preso na nuca, amarrado e virado pra cima. E todos os rabudinhos desfilam pela cidade exibindo orgulhosamente, e com muito garbo, essa pilosa moda.
Surpreendente mesmo não é mais um novo grito. Na verdade, um berro da moda: a autoflagelação das pernas de calças e bermudas. Essas roupas, como me contaram, podem ser vandalizadas pelo próprio usuário, na versão mais em conta, ou já adquiridas com a tratorada grifada de fábrica. Essas calças deficientes são tristes de se ver... mas estão na moda. A bem da verdade, na penúltima moda.
Esses modismos que volta e meia assombram o nosso bom gosto, mas que tomam conta da vida ao redor, talvez tenham uma explicação simples de como encantam e se multiplicam em todas as direções. Entre os usuários, os aplausos são unânimes. Todos a favor, ninguém contra. Um comportamento assemelhado, bem definido pelo sábio José Simão, deixa as coisas mais fáceis de se entender. Disse ele: “Nas novelas mexicanas todos trabalham mal e assim ninguém constrange ninguém”. Acho que é por aí.
Essa história de moda a qualquer custo me faz lembrar uma noite de verão em Guarapari. Quase meia-noite, e o footing lotava o centro da cidade. E todas as mulheres vestiam o "dernier cri" da moda: pantalonas, daquelas da barra varrendo o chão. Exagerando tinha mais pantalona do que mocinhas usando.
Em frente ao Turist, um grupo de amigos, top de linha da crítica de costumes, a tudo olhava e comentava. Juntei-me a eles no exato momento em que Zé Fernando Osório, apontando para a multidão "up to date", puxou os amigos mais pra perto e fez uma revelação: “Neste exato momento, na suíte presidencial do mais chique hotel de Paris, os quatro mais famosos estilistas do mundo fazem uma festança. Entre flutes e mais flutes de champanhe, eles falam todos ao mesmo tempo, gargalham, debocham e repetem sem parar: 'Elas acreditaram!'" Elas acreditaram...

Marcos Alencar

Marcos Alencar é colunista de A Gazeta

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Abertura da exposição ''Amazônia'', do renomado fotógrafo Sebastião Salgado
No Cais das Artes, a emblemática mostra de Sebastião Salgado
Imagem de destaque
As doenças antes incuráveis que estão ganhando tratamentos graças à IA
Imagem de destaque
Projeto de Tabata ameaça liberdade ao limitar críticas a Israel

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados