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Crônica

A falta que faz um treinador

Chefes de gabinete deveriam ter ruas com seus nomes. A agenda do governo mora na sua fantástica memória. Mas na engrenagem político-administrativa acho que faz muita falta a figura de um treinador

Públicado em 

25 set 2022 às 00:10
Marcos Alencar

Colunista

Marcos Alencar

Crônica
Ilustração da crônica de Marcos Alencar Crédito: Amarildo
Tá chegando a hora. Daqui a poucos dias, todas aquelas figuras que, juntas, passaram um mês inteiro prometendo à população um futuro sem igual, estarão formando dois blocos distintos: o bloco dos vencedores, gargalhando e soltando foguetes na carroceria de um caminhão, e o “deu zebra sim, senhor”, lotando um estádio de futebol, praguejando e culpando os outros pela derrota.
Assistindo a mais essa manjada reprise, nós continuaremos sendo os incansáveis bobos da corte nacional. E então, os novos campeões depois de se fartarem de peru, farofa e vinho, no Natal, e uísque e champanhe, no réveillon, assumirão seus novos cargos. Oba! Aí é que vai rolar a festa. É quando vão se dar conta de que chega de aguentar eleitor chato, de andar pelas ruas pra cima e pra baixo, de beber cachaça em botequim, de aguentar desaforos de adversários e de mentir pra Deus. Chega! A hora agora é de escolher um belo terno para a posse e pedir ao pau-pra-toda-obra, também chamado de “assessor”, para caprichar ao máximo no texto do discurso. Mas não pensem vocês que a festa acaba aí. Qual o quê... a festa está só começando.
Mais felizes do que os novos senadores e deputados são os novos chefes do executivo: o presidente e os governadores. Os reis da festa. Enfim, acomodados nos respectivos gabinetes, prontos para meter os peitos no trabalho. A propósito, a que tipo de trabalho eles se dedicarão nos próximos quatro anos? Vão checar pessoalmente o serviço de transporte coletivo, olhar com lupa se as licitações estão corretas, um plantãozinho, uma vez por semana, na rede pública de saúde? Qual o quê! Nem pensar.
O presidente e os governadores têm coisas mais importantes a fazer que até dá na gente vontade de chorar: da manhã à noite eles se entregam arduamente a... conversar! Não sabiam disso? O trabalho deles é conversar. Conversar com seus apoiadores, com adversários, com técnicos, com palpiteiros... conversar. Ouvir e tentar botar a turma nos eixos. Não ficam roucos graças à medicina moderna, aos chás caseiros e aos galhos de arruda
Mas, dirão os senhores, na primeira semana eles terão muito que ralar para definir o ministério, o secretariado... Hum... vocês estão por fora. Esse pessoal já está com as cadeiras reservadas desde a campanha. O importante neste momento é escolher o braço direito deles. Aquele que vai - este sim - ter que rebolar pro bonde seguir andando.
Sem esse profissional, a onça vai pro brejo. Estou falando da (do)... chefe de gabinete. A agenda do governo mora na sua fantástica memória. Na ponta da língua dela (dele) está quando será, quando foi, quem chega, quem parte, quem tem sempre as portas abertas e quem não passa nem pela porta dos guardas. Chefes de gabinete deveriam ter ruas com seus nomes.
Mas nesta engrenagem político-administrativa acho que faz muita falta a figura de um treinador. Um treinador cinco estrelas. É isso mesmo! Como nos times de futebol. Alguém com muita competência e voz ativa para acompanhar cada minuto do jogo. Quer dizer... da administração pública. Uma autoridade com força para mandar para o banco o secretário embromador. Sabe, aquele que não faz gol? Diretor de autarquia relapso seria logo condenado a ficar pelo menos dois jogos sem entrar em campo. Quer dizer, no gabinete. E toda e qualquer autoridade incapaz seria mandada correndo para o serviço médico. Ou, dependendo do caso, para o raio que os parta.

Marcos Alencar

Marcos Alencar é colunista de A Gazeta

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