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Crônica

Paciência tem limite... e praga rogada também

Assim como Ramsés II, estou derramando sobre esses impuros algumas das pragas do Egito, com temperos de brasilidade, lógico

Públicado em 

04 set 2022 às 00:10
Marcos Alencar

Colunista

Marcos Alencar

Marcos Alencar
A maior das pragas possíveis Crédito: Amarildo
A situação em que me encontro nem de perto lembra o drama vivido pelos hebreus. Vejam bem. De um lado Ramsés II, para não perder a baratíssima mão de obra do povo hebreu, não permitia que seus conterrâneos saíssem do Egito. E, exagerado como ele só, não fez por menos: lançou sobre eles dez terríveis pragas.
Agora vejam o meu caso. Empresários do ramo de beleza apontaram para mim as armas da erradicação capilar, sem ao menos me conhecerem. Raro é o dia em que meu celular não é invadido por desconhecidas figuras a me oferecer, gratuitamente, sessões de depilação a laser.
Num primeiro momento pensei tratar-se de uma pegadinha. Num segundo momento percebi que a intenção era me tirar do sério. Hoje tenho a certeza de que foi uma declaração de guerra. Afinal, tenho mais graus de miopia que pelos no corpo inteiro. Portanto, pouco me sobra passível de depilação. Além, é claro, dos pelos pubianos, do meu longevo bigode, do sovaco e dos micropelos nas orelhas, nas sobrancelhas e no nariz. Portanto o que, na realidade, pretendem esses capinadores da pilosidade alheia? E o que fazem com a colheita capilar? Macumba? Travesseiros para gatinhos? Ninhos para periquitos australianos? Brinquedinhos eróticos? Vai saber...
A verdade é que tomei como uma declaração de guerra a intenção de levar o meu bigode pra Deus sabe onde. E resolvi reagir à altura. Assim como Ramsés II, estou derramando sobre esses impuros algumas das pragas do Egito, retemperadas de brasilidade, lógico. Chuva de pedras... vai machucar muita gente inocente. Praga de gafanhotos... os bichinhos vão para a frigideira. Mas um exército de rãs invadindo os quartos, se refestelando nos edredons, lambrecando os sofás noite e dia... noite e dia... parece-me uma boa vingança-premium. Mas uma vingança top mesmo seria uma mega invasão de piolhos! Hein?! Que beleza! Contra o escalpo gratuito, um exército de piolhos, também gratuitos, vai deixá-los se coçando até o fim dos séculos, seculorum, amém.
Mas sinto que ainda falta uma vingancinha do tipo primeiro lugar no ibope. Uma praga campeã. Bem pátria amada Brasil, do mal. Tipo feijoada salgada aos sábado, peixe de arrepio às segundas e um amor infiel pro resto da vida. Como percebem, minha vingança pretende mesmo ser maligna.
E sorte a deles é que eu sou um cara bom. Fosse eu um ser desumano, teria humilhado Ramsés com a superpraga que imaginei. Obrigá-los a assistir ao horário eleitoral, todos os dias, por uma semana. Mas pisei no freio. Seria muita maldade. E eu não quero ir para o inferno, não.

Marcos Alencar

Marcos Alencar é colunista de A Gazeta

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