Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Crônica

Tô certo ou tô errado de me incomodar com quem diz "com certeza"?

Uma pena que, por força de um possível habeas corpus dos malabaristas do vernáculo, permaneçam em uso alguns sinônimos do tipo “então, tá”

Publicado em 14 de Agosto de 2022 às 00:15

Públicado em 

14 ago 2022 às 00:15
Marcos Alencar

Colunista

Marcos Alencar Marcos Alencar
Marcos Alencar
O “com certeza” não vai sozinho para o exílio na ilha de Elba Crédito: Amarildo
Aposentaram, por motivo de indiscutível chatura, o uso abusivo da expressão “com certeza”. Essa forma meio infantil de se dizer atento a fala do interlocutor é usada à exaustão por um mundo de gente. Felizmente, quase não tenho ouvido mais por aí. Esse vício, carimbado ao final de cada frase que proferimos, sempre pretendeu substituir formas mais simples e naturais de concordância.
Bastaria um singelo “sim”, “pois é”, “aham”, “sei”. Sem falar no cadenciado balançar afirmativo da cabeça, acompanhado de um olhar do tipo “entendi”. Mas esse atentado verbal à nossa paciência é na verdade doença grave. Faz de cada infectado um irritante papagaio falante. Sempre de prontidão no poleiro da vida, repetindo sem nunca se cansar “com certeza, com certeza”.  Eu quando converso com esses viciados procuro encompridar a frase, abuso até das proparoxítonas, para tornar mais demorado o já sabido carimbo de aprovação do incansável “louro”.
O “com certeza” não vai sozinho para o exílio na ilha de Elba. Vai passar o resto de sua vida no mesmo porão onde jazem o “sem sombra de dúvidas”, o “eta, ferro!", o“ Espírito Santo como um todo”, o “demandar” e o “super-amei ”. O “pô!” desembarcou semana passada em Elba.
Duas exceções: 1) por exigência da classe política, o “juro por Deus” permanece existindo. Sempre de plantão. Muito embora ninguém acredite quando são eles que falam. Quem celebra é o capeta que já estendeu o tapete vermelho para esperar pela turma. 2) A expressão “Vai c...no mato” é eterna. Nunca deixará a avenida das melhores respostas desaforadas. Na hora precisa, no momento certo, diante de um chato campeão, esta é a hora mais acertada para sugerir o caminho da moita.
Uma pena que, por força de um possível habeas corpus dos malabaristas do vernáculo, permaneçam em uso alguns sinônimos do tipo “então, tá”. Quando dizem, por exemplo, que o preso “empreendeu fuga" em vez de fugiu, por exemplo. A vítima “foi a óbito" no lugar de morreu. E trânsito normal não é mais normal como sempre foi: ele “flui bem”. E no aulão dos caixas de lojas de comércio ensinam às atendentes que o certo é mandar o cliente “inserir” o cartão. Inserir?! Então tá.
Por outro lado, a periferia tem mandado muito bem. Acertou em cheio quando apelidou carinhosamente um velho companheiro do dia a dia: ônibus agora é “busão” para sempre. Reformaram também, de forma meio malandra, o “bom dia”. A saudação agora entre eles é mais simpática e levemente sacana: “Aí, fala pra nóis!” Gostei muito. Ainda não aprendi como responder ao cumprimento, confesso. Mas por enquanto vou me virando com um sorriso meio idiota. Tá funcionando.
A oposição já deve ter arrancado algumas varas de Guaxuma pra me dar uma coça por me meter em seara alheia. Calma, gente. Tenham paciência com esse xereta amador. Deixem-me continuar observando o que fazem, o que dizem e o que parecem pensar todos por aí. Como disse um dia Richard Strauss: “Não sou um compositor de primeira classe. Mas sou um compositor de segunda classe de primeira”. No meu caso, de terceira, quarta...

Marcos Alencar

Marcos Alencar Marcos Alencar

Marcos Alencar é colunista de A Gazeta

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Em meio às tragédias que ainda marcam suas vidas, Ana Carolina Oliveira (Podemos), mãe de Isabella Nardoni, e Leniel Borel (PP), pai de Henry Borel, foram eleitos vereadores de São Paulo e do Rio de Janeiro, respectivamente, no domingo de eleições, 6.
Mãe de Isabella Nardoni e pai do menino Henry Borel são eleitos deputados federais
Fredhericco Moreno Serri Costa morreu na Serra
Sargento dos Bombeiros morre após levar facada e golpes de madeira na Serra
Os vereadores de primeiro mandato que estão eleitos na Ales
Seis vereadores de 1º mandato são eleitos deputados estaduais no ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados