Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Marcelo Mendonça

Sucesso não garante continuidade: o que falta às empresas familiares brasileiras?

A explicação é mais simples do que parece: a maioria das empresas familiares não possui sequer um plano de continuidade para os cargos-chave do próprio negócio

Publicado em 23 de Setembro de 2026 às 04:30

Públicado em 

23 set 2026 às 04:30
Marcelo Mendonça

Colunista

Marcelo Mendonça Marcelo Mendonça

Construir uma empresa de sucesso e garantir que ela sobreviva à próxima geração são desafios completamente diferentes. À primeira vista, um pode parecer a consequência do outro, mas o empresário brasileiro costuma priorizar somente o crescimento do negócio, não a sua continuidade.


Segundo o IBGE, cerca de 90% das empresas brasileiras são familiares e sustentam a maior parte dos empregos e do PIB nacional. Ainda assim, pesquisas da Fundação Dom Cabral apontam que 7 em cada 10 delas não sobrevivem à primeira sucessão, deixando de existir já na geração seguinte, e a minoria que resiste à essa transição raramente chega à terceira geração (cerca de 12%), muito menos à quarta (cerca de 3%), segundo o levantamento global da PwC.


A explicação é mais simples do que parece: a maioria das empresas familiares não possui sequer um plano de continuidade para os cargos-chave do próprio negócio. Isso não é suposição, é o que o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa expôs e mostrou que o problema do empresário quase nunca é a gestão da atividade em si, mas a gestão da transição.

Veja Também 

investimentos, imposto de renda, planejamento financeiro, finanças, dinheiro, orçamento

Quem deve interpretar o imposto?

reforma tributária, imposto

Fim da escala 6x1, reforma tributária e o futuro das empresas

Imagem de destaque

Tributação das altas rendas e Simples Nacional: a nova regra se aplica a todos?

Torna-se necessário, portanto, entender a passagem de bastão como um processo jurídico, que se constrói com instrumentos como acordo de sócios com regras claras de entrada, saída e sucessão de cotas; protocolo de governança que separe interesse pessoal de interesse societário; holding familiar que organize o patrimônio e reduza custos de transmissão; entre outras ferramentas que só funcionam quando desenhadas com antecedência e sob medida para cada família.


O cenário mais comum, porém, é buscar o conselho jurídico sob a pressão de uma crise já instaurada, raramente recuperando-se o que foi perdido. Observe qualquer empresa ativa há décadas, mas que nunca formalizou quem assume o quê nem em quais condições. 


De repente, o fundador se afasta, por vontade própria ou por força das circunstâncias, e o que era transição de gestão vira impasse: um herdeiro não quer assumir, outro reivindica mais do que lhe cabe e, no fim, ninguém se preocupa com a continuidade do negócio. 


O resultado final é a empresa sair prejudicada, visto que ocorre uma paralisação das suas atividades enquanto a família discute o que já deveria estar assinado há muito tempo. Esse ponto é o que diferencia uma empresa duradoura daquela que entra nas estatísticas: um planejamento sucessório prévio e bem estruturado que protege o seu legado de se transformar em mais um litígio judicial.


*Com colaboração de Luana Tasso, estagiária do Mendonça e Machado Advogados

Marcelo Mendonça

Marcelo Mendonça Marcelo Mendonça

É advogado e busca descomplicar o Direito dos Negócios, abordando de forma direta e prática as várias faces jurídicas e estratégias voltadas às estruturações negociais

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Presídio
Presídios no ES: gestão é parte crucial da segurança pública
Imagem de destaque
Tarot do dia: previsão para os 12 signos em 23/09/2026
Imagem de destaque
Sob pressão das tarifas, indústria de rochas busca diversificação na maior feira do mundo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados