Todo mundo que navega na internet já deve ter encontrado uma notificação sobre política de cookies. Mas você já parou para refletir por que isso tem acontecido mais que antes?
A resposta está nos dados digitais que circundam toda navegação digital. Para muito além das empresas de tecnologia, varejo e de consumo, os dados têm se tornado cada vez mais valiosos e representam uma verdadeira vantagem competitiva no mercado.
No mundo digital, muitas vezes os dados são capturados por meio dos “cookies” - arquivos que armazenam temporariamente a atividade do usuário na internet. Dessa forma, são coletadas informações do usuário, como suas preferências de pesquisa, histórico de navegação ou a cidade de onde acessou a rede, por exemplo. Toda vez que você visita o mesmo site, esse acesso pode ser reconhecido e relacionado ao comportamento em acessos anteriores no mesmo endereço eletrônico.
Mesmo que muitas vezes anônimos, esses dados ajudam as empresas a entender melhor o comportamento do consumidor, como ver as páginas visitadas, quanto tempo ficou no site e até mesmo quantas vezes ele foi acessado daquele mesmo dispositivo.
Apesar de amplamente utilizada, a tecnologia dos “cookies de terceiros” vem sendo debatida e considerada como invasiva para a privacidade do usuário. Entre os maiores navegadores, o Safari e o Firefox já os bloquearam desde 2013 e, recentemente, o Chrome, utilizado por aproximadamente 70% dos computadores no mundo, divulgou que está em processo de adequação para bloquear os “cookies de terceiros” até o final de 2022.
Essa necessária adequação se dá porque, na maioria das vezes, as informações coletadas através dos cookies são capazes de identificar o indivíduo que navega pelo site, se caracterizando como dado pessoal que, até mesmo, deveria ser confidencial e sigiloso. Portanto, estando sob o resguardo da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e fiscalização de diversos órgãos como a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e o Procon.
Assim, torna-se fundamental para a perenidade do negócio elaborar ou aprimorar as políticas de transparência em conformidade com as regras estabelecidas na LGPD, frequentemente auditados por consumidores e pela fiscalização, garantindo o respeito aos dados dos usuários e, principalmente, prevenindo a aplicação das penalidades legais que podem chegar a 2% do faturamento da empresa por infração.
Nesse cenário, os cookies impactam as empresas não apenas no direcionamento do investimento em estratégias de marketing, que naturalmente envolverão dados obtidos diretamente do relacionamento com seus consumidores, como o e-mail marketing, mas também na credibilidade da marca e perenidade da empresa, através da prevenção de conflitos com seus consumidores e da aplicação de penalidades que comprometam a sua saúde financeira.
Escrito com colaboração de Daniel Lube