Ao examinarmos as expectativas para a economia brasileira em 2022, projetadas no final do ano passado pelos principais analistas econômicos – setor financeiro, Ipea, Boletim Focus do Bacen e outros – constatamos, contrariando as previsões negativas feitas naquela época, que o ministro Paulo Guedes, ao prever um crescimento econômico em patamares bem superiores, estava certo.
Naquela ocasião, o Banco Central projetava para 2022 uma previsão de crescimento em torno de 1%, o Dimec Ipea de 1,1% e outros analistas com previsões até inferiores.
Vimos no transcorrer deste ano uma progressiva revisão positiva desses números, a ponto de essas previsões apontarem no final de julho para um crescimento acima de 2%. Ou seja, o dobro das previsões do final do ano passado.
Além disso, há ainda que se considerar um substancial avanço em outros importantes indicadores econômicos: o Brasil reconquistou a décima posição entre as maiores economias do mundo (antes estava na 13ª), registrou uma considerável diminuição do desemprego, de 11,1 milhões de desempregados para 9,8 milhões (taxa de 9,3% segundo o IBGE), e está conseguindo uma importante redução da inflação, agora projetada para este ano num patamar abaixo de 8%.
É certo que esses indicadores estão muito distantes do que seria desejável – e até mesmo possível – ante as gigantescas potencialidades econômicas do nosso país.
Portanto, é nesse cenário, agravado por uma crise generalizada, ainda sob os efeitos de uma pandemia não inteiramente debelada, de guerra entre a Rússia e a Ucrânia, de inflação desenfreada nos Estados Unidos (9,1% ao ano, a maior nos últimos 40 anos) e na Europa, com fortes impactos na economia mundial, que devemos avaliar a situação atual.
Com efeito, não há como se deixar de reconhecer que as políticas adotadas no Brasil para se contrapor a essa grave situação (redução do ICMS dos combustíveis, Auxílio Brasil, PEC dos Benefícios etc.) produziram resultados positivos para a nossa economia: a inflação perdeu o ímpeto e o consumo aumentou.
Mas não se pode deixar de considerar que estamos vivendo um período muito complicado. Não só sob o ponto de vista da grave situação internacional, como um quadro político interno marcado por uma polarização que parece irreversível às vésperas das eleições.
Enfim, o futuro é nebuloso.