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Poço sem fundo

Economia brasileira: melhor neste ano, pior no próximo

Vamos pagar o preço da desinflação deste ano no ano que vem. Estamos financiando almoço e jantar. Estarão embutidos nesse preço todas as benesses de natureza tributária, passando por gastos com uma gama de benefícios, além das emendas “secretas”

Públicado em 

13 ago 2022 às 02:00
Orlando Caliman

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Orlando Caliman

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Chegamos a um cenário um tanto quanto inusitado para a economia brasileira para o próximo ano: a melhora alcançada neste ano pode significar piora para o próximo. Uma combinação não muito usual, mas bem própria de um ambiente extremamente instável. Mais internamente, por conta da verdadeira “farra” eleitoreira, sem freios, mas que também conta com ingredientes não desprezíveis de um cenário global também instável e perturbador.
No lado interno, as incursões do Executivo Federal, respaldadas, é importante que se diga, por um Legislativo descompromissado com consequências futuras e que expandem os gastos públicos para além do suportável, alivia a economia dando-lhe um fôlego para 2022. Uma reação que podemos classificar como ilusória, cujo custo lhe será cobrado em 2023. Ou seja, cada ponto percentual de ganho no PIB deste ano implicará em queda praticamente na mesma dimensão no próximo.
A expectativa corrente no mercado é de que a economia brasileira possa crescer algo em torno de 2% neste ano. O que já é pouco diante de um crescimento projetado para a economia mundial que deverá chegar a 3,2%. Já para o próximo ano, ninguém ousa apostar em número que ultrapasse 1%; menos da metade do que prevê o FMI – Fundo Monetário Internacional para a economia mundial. Os prognósticos para o Brasil estão girando entre 0,2% e 0,5%. Um cenário já precificado pelos reflexos da “ressaca” fiscal, praticamente inevitável, além dos sinais poucos alvissareiros vindos do mundo externo.
A mesma lógica traçada para o cenário do PIB prescreve-se para a inflação. O que se ganha com a desinflação neste ano será revertido em maior inflação no próximo ano. Em linguagem mais direta, vamos pagar o preço da desinflação deste ano no ano que vem. Estamos financiando almoço e jantar. Estarão embutidos nesse preço todas as benesses, sejam elas de natureza tributária, como as reduções de impostos sobre energia e combustíveis, passando por gastos com uma vasta gama de benefícios, além das emendas “secretas” e outras coisas mais.
Vale ressaltar ainda que as perspectivas para a economia mundial para o próximo ano não se mostram atraentes. Todas as projeções até agora disponíveis apontam para queda das atividades econômicas. Caso da economia americana, que para conter a inflação deverá pisar mais forte no freio, elevando a taxa de juros. Isso trará consequências para o Brasil, com o fortalecimento do dólar e consequente desvalorização adicional do Real e alimentação da inflação. No histórico, a cada ponto percentual de queda do PIB mundial provoca queda na mesma dimensão numérica da economia brasileira.
Tarefa complexa e pesada para o próximo presidente do país.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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