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Eleições 2022

O destino dos órfãos de Sergio Moro no Espírito Santo

Senador Marcos do Val, que chegou a trabalhar no programa do ex-juiz na área da Segurança Pública, diz que, sem terceira via, já tem um novo escolhido

Públicado em 

14 jun 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

O ex-juiz Sérgio Moro
O ex-juiz Sérgio Moro em evento do Podemos em Vila Velha, em fevereiro de 2022 Crédito: Saulo Rolim | Podemos
O ex-juiz e ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro (PL) Sergio Moro se filiou ao União Brasil em 31 de março, saindo assim do Podemos. Até então, integrantes do partido no Espírito Santo estavam engajados na pré-campanha dele à Presidência da República.
Hoje, o mais provável é que Moro dispute uma vaga no Senado pelo Paraná, depois que a transferência de domicílio eleitoral dele para São Paulo foi considerada irregular.
Está, até a segunda ordem, fora da corrida presidencial, assim como já estava evidente desde que entrou no União Brasil, em que não há espaço para ele concorrer ao posto máximo do Executivo federal.
O União tem como pré-candidato Luciano Bivar, presidente nacional da legenda.
Voltando ao Espírito Santo, por aqui o presidente estadual do Podemos, Gilson Daniel, ex-secretário de Planejamento do governo Renato Casagrande (PSB), era o coordenador da área municipalista da pré-campanha de Moro.
Gilson Daniel foi pego de surpresa pela saída do ex-juiz do partido e ainda não declarou voto a outro postulante à Presidência da República. No Instagram, em 31 de maio, republicou vídeo do Podemos nacional que diz que "o Brasil não quer andar para os extremos", numa alusão à rejeição ao ex-presidente Lula e a Bolsonaro.
O partido segue com um ex-integrante da Operação Lava Jato, o ex-procurador da República Deltan Dallagnol, pré-candidato a deputado federal no Paraná.
O senador Marcos do Val, outro integrante do Podemos local que chegou a trabalhar no plano de governo de Moro, na área da Segurança Pública, diz que, num cenário polarizado entre o ex-presidente Lula (PT) e Bolsonaro, escolhe o atual presidente.
"Eu até me incomodo quando me colocam como bolsonarista. Nunca passei dez minutos conversando com ele (Bolsonaro), nunca marquei agenda"
Marcos do Val (Podemos) - Senador
"Sigo as pautas que eu tinha feito as promessas aos capixabas e, na Lei de Diretrizes Orçamentárias, que sou o relator, vou seguir critérios técnicos", pontuou.
Ele diz que não apoia Lula "jamais" porque, devido à convivência com Moro, convenceu-se de que o petista cometeu crimes. Já quanto a Bolsonaro, avalia que "ele tem pontos positivos, mas também tem umas falas bem radicais que esticam muito a corda no Congresso".
Nas redes sociais, Do Val tem exaltado Bolsonaro. Desde o início do governo ele endossa diversas pautas bolsonaristas, como a ampliação do acesso a armas de fogo para a população.
O senador diz que preferia mesmo Moro, porém o ex-juiz "tomou uma decisão péssima, se enforcou e não tem mais terceira via", resumiu.
Já o médico Gustavo Peixoto, que se filiou ao Podemos, num primeiro momento, seguindo Moro e depois foi para o União Brasil pelo mesmo motivo, tem esperanças de ver o ex-juiz nas urnas como candidato à Presidência.
"Tenho esperança de ver Moro em alguma chapa, como vice ou como candidato à Presidência. O Bivar pode descer e deixar o Moro ser candidato. Se não, veremos o que vai sobrar (qual candidato apoiar)", afirmou à coluna.
Peixoto é pré-candidato a deputado federal no Espírito Santo.
"As duas opções (Lula e Bolsonaro) têm fragilidades e defeitos muito grandes, precisamos de outra opção. Tem uns 15 dias que não falo com ele (Moro), mas ele segue à disposição", resumiu.
De acordo com Do Val, o Podemos até incentivou o senador Álvaro Dias, do Paraná, a ser candidato à Presidência da República, mas ele se mostrou desanimado com a ideia. Agora, cogita disputar o governo do estado do Sul.
Do Val diz ter simpatia pela colega Simone Tebet, do MDB, outra pré-candidata ao Palácio do Planalto. O senador, porém, contou ter tido uma conversa com a parlamentar há cerca de duas semanas em que ela confidenciou que deve ser rifada pelo próprio partido da disputa.
"Ela disse que espera alcançar uns 5% ou 6% em pesquisas de intenção de voto, para se tornar conhecida, mas o mais provável é que ela deixe a vida pública por tempo indeterminado depois disso, até por questões familiares, já que se dedica à política há muitos anos", revelou.
No Brasil, parlamentares outrora ferrenhos defensores de Moro têm migrado para o bolsonarismo.
Embora o ex-ministro tenha rompido com Bolsonaro, quando deixou o governo acusando o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal, o próprio Moro, por um bom tempo, rezou pela cartilha do chefe.
O Podemos deve liberar a bancada para que os congressistas apoiem quem acharem melhor e a maioria deles deve seguir o atual presidente.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, também como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 até 2021, quando assumiu a coluna Letícia Gonçalves.

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