O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), é um político de centro-direita que, normalmente, não associa a própria imagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na terça-feira (24), entretanto, fez um gesto um tanto fora da curva.
Durante culto evangélico na Prefeitura de Vitória, Pazolini orou pela recuperação da saúde de Bolsonaro, a quem chamou de "nosso presidente". A fala foi breve:
"Quero aqui já iniciar agradecendo pelas orações a nossa gestão e também ao nosso presidente Jair Bolsonaro, que tem passado por momentos tão difíceis de saúde e que tem uma expectativa hoje que ele possa sair da UTI pro quarto para restabelecer a sua saúde".
A realização de cultos no gabinete, em horário de expediente, é corriqueira na atual gestão.
O que chama a atenção, além disso, é que Pazolini fez questão de compartilhar nos stories do Instagram uma publicação que destaca que ele "se solidarizou com o ex-presidente Jair Bolsonaro".
O prefeito de Vitória é pré-candidato a governador do Espírito Santo.
A prática religiosa, que poderia ser algo da esfera da vida privada, ganha, assim, outros contornos.
Nos bastidores, o gesto foi visto como um afago de Pazolini aos eleitores bolsonaristas e, quiçá, a políticos mais próximos ao ex-presidente, como os filiados ao PL.
O partido, presidido no estado pelo senador Magno Malta, porém, pode até ter candidato ao Palácio Anchieta, o próprio Magno.
Um aliado do prefeito minimizou o aceno, lembrando que o PL tem dado sinais de que pretende caminhar isolado e, assim, uma aliança com o Republicanos de Pazolini não estaria no radar.
Outros, entretanto, comemoraram.
"Foi algo espontâneo dele. Encontrei o prefeito na inauguração da duplicação da unidade de saúde de Jardim Camburi e o parabenizei. Ele disse 'você sabe o que eu penso, não tolero injustiça'", contou o vereador da Capital Armandinho Fontoura (PL).
Não posso afirmar o quão calculada ou não foi a oração feita pelo prefeito. Pode, sim, ter sido um gesto espontâneo e não previamente combinado como estratégia de campanha.
Mas o culto não foi um evento de massa, aberto ao público ou transmitido via redes sociais. Só quem estava lá ouviu as palavras de Pazolini.
Ele, entretanto, depois deu publicidade ao fato, no Instagram. Aliados do prefeito passaram a compartilhar um vídeo, com o trecho do culto, no WhatsApp. Logo, algum cálculo político há aí.
O leque de alianças com o qual o republicano pode contar na corrida eleitoral é um pouco restrito, considerando que a maioria dos partidos está ao lado do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), outro postulante ao Palácio Anchieta.
Se conseguisse a adesão do PL, Pazolini reforçaria o próprio palanque.
Ainda que não tenha sido essa a intenção, resta o aceno aos eleitores do ex-presidente em um momento em que um dos filhos de Bolsonaro, Flávio, ganha força nas pesquisas de intenção de voto.
A estratégia difere da adotada por Ricardo e por seu principal apoiador, o governador Renato Casagrande (PSB). Os dois, por mais de uma vez, afirmaram que a disputa pelo governo estadual deve ficar longe de "briga ideológica" e da disputa pela Presidência da República.
Veremos quem está com a razão. Isso se Pazolini continuar na toada de citar Bolsonaro.
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