Ricardo Ferraço (MDB) está à frente do governo do Espírito Santo
desde o dia 2 de abril, sucedendo Renato Casagrande (PSB), seu principal aliado. Os dois são pré-candidatos em 2026. O emedebista, à reeleição; o socialista, ao Senado. E são unha e carne, juntos em agendas oficiais e pré-eleitorais com direito a exaltação mútua.
Mas, definitivamente, não são a mesma pessoa. Nestes quase dois meses de governo de Ricardo, algumas diferenças já podem ser notadas.
A primeira é o estilo pessoal. Casagrande é mais afável; Ricardo, mais formal, embora tenha tentado se popularizar.
O ex-governador é um político de centro-esquerda; o atual governador posiciona-se mais à direita.
Em termos práticos, Ricardo promoveu ao menos uma mudança que chamou a atenção.
A mediação de conflitos de terra, notadamente a reintegração de posse, estava, na gestão Casagrande, sob a batuta da Secretaria Estadual de Direitos Humanos.
O atual governador retirou essa atribuição da pasta e passou para a Secretaria Estadual de Segurança Pública. Ricardo
afirmou à colunista Vilmara Fernandes que "invasão, ocupação, é um problema de segurança, não de direitos humanos".
Politicamente, ao contrário do que Casagrande fazia quando era governador, Ricardo não participou da agenda oficial do presidente Lula (PT) no Espírito Santo. Embora tenha recepcionado o líder petista no Aeroporto de Vitória.
Em relação ao primeiro escalão, várias mudanças foram feitas na gestão de Ricardo, mas a maior parte deu-se por motivos alheios à vontade do emedebista. Diversos secretários estaduais deixaram os cargos para disputar as eleições.
Ainda assim, ao substituí-los, Ricardo optou majoritariamente por nomes que já estavam na administração Casagrande, como subsecretários das respectivas pastas.
A exceção deu-se em Direitos Humanos. A então secretária Nara Borgo não é pré-candidata e foi exonerada por decisão do atual governador.
No núcleo duro do governo, ou seja, entre as pessoas que mais exercem influência, a então chefe de gabinete de Casagrande, Valésia Perozini, deu lugar a Flávia Mignoni, que era superintendente de Comunicação e agora chefia o gabinete de Ricardo.
Valésia deve seguir ao lado do ex-governador. Flávia já estava no centro do poder e é considerada uma das pessoas com maior prestígio na gestão.
Do ponto de vista de nomes, rostos e influência, as coisas não mudaram muito na transição entre Casagrande e Ricardo.
O QUE DIZ CASAGRANDE
Mas o que o próprio Casagrande acha disso tudo?
A coluna perguntou ao ex-governador.