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Letícia Gonçalves

Unha e carne, mas não iguais: as diferenças e semelhanças entre os governos de Casagrande e Ricardo

Emedebista está à frente do Palácio Anchieta há dois meses. O que já se pode notar? E o que o ex-governador acha disso? Confira na coluna

Publicado em 27 de Maio de 2026 às 15:42

Públicado em 

27 mai 2026 às 15:42
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Renato Casagrande e Ricardo Ferraço na transmissão de faixa no Palácio Anchieta
No Palácio Anchieta, Renato Casagrande transmitiu a Ricardo Ferraço a faixa de governador Carlos Alberto Silva


Ricardo Ferraço (MDB) está à frente do governo do Espírito Santo desde o dia 2 de abril, sucedendo Renato Casagrande (PSB), seu principal aliado. Os dois são pré-candidatos em 2026. O emedebista, à reeleição; o socialista, ao Senado. E são unha e carne, juntos em agendas oficiais e pré-eleitorais com direito a exaltação mútua.

Mas, definitivamente, não são a mesma pessoa. Nestes quase dois meses de governo de Ricardo, algumas diferenças já podem ser notadas.

A primeira é o estilo pessoal. Casagrande é mais afável; Ricardo, mais formal, embora tenha tentado se popularizar. 

O ex-governador é um político de centro-esquerda; o atual governador posiciona-se mais à direita.

Em termos práticos, Ricardo promoveu ao menos uma mudança que chamou a atenção.

A mediação de conflitos de terra, notadamente a reintegração de posse, estava, na gestão Casagrande, sob a batuta da Secretaria Estadual de Direitos Humanos.

O atual governador retirou essa atribuição da pasta e passou para a Secretaria Estadual de Segurança Pública. Ricardo afirmou à colunista Vilmara Fernandes que "invasão, ocupação, é um problema de segurança, não de direitos humanos".

Politicamente, ao contrário do que Casagrande fazia quando era governador, Ricardo não participou da agenda oficial do presidente Lula (PT) no Espírito Santo. Embora tenha recepcionado o líder petista no Aeroporto de Vitória.

Em relação ao primeiro escalão, várias mudanças foram feitas na gestão de Ricardo, mas a maior parte deu-se por motivos alheios à vontade do emedebista. Diversos secretários estaduais deixaram os cargos para disputar as eleições.

Ainda assim, ao substituí-los, Ricardo optou majoritariamente por nomes que já estavam na administração Casagrande, como subsecretários das respectivas pastas.

A exceção deu-se em Direitos Humanos. A então secretária Nara Borgo não é pré-candidata e foi exonerada por decisão do atual governador.

No núcleo duro do governo, ou seja, entre as pessoas que mais exercem influência, a então chefe de gabinete de Casagrande, Valésia Perozini, deu lugar a Flávia Mignoni, que era superintendente de Comunicação e agora chefia o gabinete de Ricardo.

Valésia deve seguir ao lado do ex-governador. Flávia já estava no centro do poder e é considerada uma das pessoas com maior prestígio na gestão. 

Do ponto de vista de nomes, rostos e influência, as coisas não mudaram muito na transição entre Casagrande e Ricardo.

O QUE DIZ CASAGRANDE
 
Mas o que o próprio Casagrande acha disso tudo?

A coluna perguntou ao ex-governador.

Ricardo e eu somos o mesmo governo, nós nos elegemos em 2022. Eu governador, ele vice-governador. Ele assumiu o governo com a minha saída, mas é o mesmo mandato. Há questões só de perfil pessoal, não tem mudança

Renato Casagrande (PSB) Ex-governador do Espírito Santo

O socialista minimizou a alteração na questão dos conflitos de terra. 


"É algo que pode chamar a atenção, sim, mas do jeito que eu fiz no meu governo deu certo e minha expectativa é que do jeito que ele fez também continue dando certo. Nós conseguimos resolver todos os conflitos de terra que aconteceram no estado. Então, assim, sem nenhum problema. Ele fez uma mudança, achou o melhor para desburocratizar", comentou.

Sobre a postura de Ricardo em relação a Lula, o ex-governador avaliou que o emedebista "manifestou respeito institucional": "O mais importante foi receber o presidente".

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Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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