Em ano eleitoral, investimentos do governo do ES vão aumentar em 40%
Lei orçamentária
Em ano eleitoral, investimentos do governo do ES vão aumentar em 40%
Governador Casagrande e secretários dizem que o incremento não tem a ver com o calendário das eleições de 2022, mas o fato é que entregas vão ser turbinadas
Projeto de lei orçamentária foi elaborado pelo governo do estado Crédito: Rodrigo Gavini
O governo do Espírito Santo prevê investir em 2022 um valor 40% superior ao que foi orçado para 2021. De acordo com o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA), vão ser alocados R$ 2,7 bilhões em investimentos no ano que vem, ao passo que para este ano a projeção é de R$ 1,9 bilhão.
A previsão de receita também aumentou de um ano para o outro, mas em um patamar mais módico: de R$ 18,9 bilhões para R$ 20,2 bilhões (7,3%).
O secretário de Estado da Fazenda, Marcelo Altoé, afirmou que os cálculos consideram um cenário de melhora da economia no ano que vem, apesar de algumas incertezas, como a Reforma Tributária que, se aprovada pelo Congresso Nacional, deve afetar sobremaneira os estados.
A retomada da Samarco, por outro lado, deve impactar os cofres públicos de maneira positiva.
A coluna questionou o fato de os investimentos darem um salto significativo justamente em ano eleitoral.
Há até uma vedação, não para a realização dos investimentos em si, mas para a presença de candidatos em inaugurações a três meses da data do pleito, o que corresponde a julho, se o primeiro turno for realizado em outubro.
Assim, o próprio governador Renato Casagrande (PSB), se disputar a reeleição, não vai poder colher, presencialmente, os louros de algumas conquistas se elas ficarem para mais tarde.
O secretário de Estado de Economia e Planejamento, Álvaro Duboc, disse que o ritmo de obras e demais investimentos não tem relação com o calendário eleitoral. E que as entregas não vão ser antecipadas para o primeiro semestre devido a isso.
"Aquilo que puder ser entregue em fevereiro, em março, será. O que puder ser entregue em setembro, outubro, também", respondeu, na última segunda-feira (27).
Há de se considerar, evidentemente, que 2020 e 2021 foram anos impactados diretamente pela pandemia de Covid-19.
Observemos, pois, a curva de investimentos projetados pelo governo do estado nos últimos anos:
Ainda no dia 8 de agosto, a coluna questionou o próprio Casagrande sobre o ritmo de entregas do governo, se não está havendo uma aceleração proposital em ano pré-eleitoral.
"Não. É do amadurecimento dos projetos. O Portal do Príncipe, por exemplo, é um projeto que tínhamos começado no nosso governo passado, mas o governo do Paulo (Hartung) não deu sequência. Quando chegamos, tivemos que atualizar todo o projeto, novo orçamento. Até contratar … contratamos. Para mudar projeto demora um ano. Até que contrata e começa a obra … vai terminar agora este ano", exemplificou.
"A ciclovia da vida não tinha projeto. Tinha projeto de ampliação da ponte (refere-se à Terceira Ponte, entre Vitória e Vila Velha), no nosso governo passado também. Aí teve a ideia da ciclovia da vida. Era proteção contra o suicídio, nós aproveitamos e fizemos a ciclovia da vida. Até contratar o projeto, fazer a concepção, isso demora um ano e meio, dois anos", complementou.
"O tempo de quatro anos é para elaborar projeto, contratar projeto, fazer a parte burocrática, contratar a obra e começar a obra. Avançamos bem", avaliou o socialista.
Nem todos os valores a serem aplicados em investimentos em 2022 vão gerar frutos a serem colhidos no mesmo ano. O Hospital Geral de Cariacica, por exemplo, somente deve ficar pronto em 2023.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.