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Inauguração na Serra

Deputados "CasaNaro" são vaiados em evento com Lula no ES

Integrantes do Podemos e do PP foram alvos da plateia, majoritariamente petista. Presidente da República saiu em defesa dos parlamentares, mas atacou Bolsonaro, a quem chamou de "aquela coisa"

Públicado em 

15 dez 2023 às 19:23
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Lula participa da inauguração do Contorno do Mestre Álvaro, na Serra
Lula participa da inauguração do Contorno do Mestre Álvaro, na Serra Crédito: Fernando Madeira
Em 2022, o deputado federal Da Vitória (PP), em busca da reeleição, foi cabo eleitoral de Jair Bolsonaro (PL), que tentava ser reconduzido à Presidência da República, e do governador Renato Casagrande (PSB), que também queria mais um mandato. Casagrande, entretanto, estava ao lado de Lula (PT), arquirrival de Bolsonaro. Da Vitória, assim, adotou o voto "CasaNaro", mesma estratégia escolhida por Gilson Daniel (Podemos), então candidato à Câmara dos Deputados.
Nesta sexta-feira (15), Da Vitória e Gilson, eleitos no ano passado, dividiram o palanque com Lula. O presidente participou da cerimônia de inauguração do Contorno do Mestre Álvaro, na Serra. Quando os nomes dos dois parlamentares foram citados, vaias irromperam da plateia, formada, majoritariamente, por petistas e simpatizantes do Partido dos Trabalhadores. 
Alexandre Xambinho (Podemos), deputado estadual que, em 2022, não pediu votos para Bolsonaro, mas não embarcou na campanha de Lula, foi outro alvo de vaias. 
Em dado momento, sobrou até para o prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT), que é filiado a um partido de centro-esquerda e apoiador do presidente. Após discursar e elogiar efusivamente o líder petista, Vidigal foi aplaudido. 
O curioso nesta história é que Lula pediu ao público que não tratasse os integrantes de outros partidos como adversários.
"Quando a gente vem para um palanque como esse e a gente traz um deputado ou um senador de outro partido político é importante que vocês não os tratem como adversários, porque nós precisamos trabalhar junto com eles dentro do Congresso Nacional. A gente vai disputar na época da eleição, mas depois da eleição eu preciso governar", discursou o petista, logo após agradecer à bancada federal capixaba por ter alocado recursos — emendas de bancada — na obra do Contorno do Mestre Álvaro. 
"De 513 deputados (federais), o PT só tem 70. Então, nós precisamos conversar com muita gente, nós precisamos tentar convencer as pessoas. É assim que a gente governa, é assim que o Casagrande governa", complementou Lula.  
Na bancada do Espírito Santo, que tem 13 integrantes, o PT também é minoria, tem dois deputados federais e um senador.
Mas o próprio Lula, no mesmo evento, atacou Bolsonaro diversas vezes. O ex-presidente está inelegível, mas preserva apoiadores em território capixaba. Se dependesse apenas dos eleitores do estado, Jair Bolsonaro teria permanecido no Palácio do Planalto.
Na plateia da cerimônia, contudo, bolsonaristas eram minoria. 
"Em todos os Estados da federação que eu vou, em todos, eu pergunto para todo mundo se alguém lembra uma obra que 'aquela coisa' inaugurou", bradou Lula, aprovado pelo público. "Aquela coisa" foi como o presidente se referiu ao antecessor, cujo nome não citou.
"Um facínora que pregou o ódio durante quatro anos neste país. Mentiu e pregou ódio", reforçou Lula.
Assim, o petista "mordeu" o adversário e "assoprou" os apoiadores dele. 
O Podemos integra a base de Lula e Gilson Daniel, presidente do partido no Espírito Santo, costuma votar a favor de projetos do governo. 
"É normal (ser alvo de vaias), mas é uma obra importante para o estado e, nós, da bancada federal temos uma contribuição muito grande nessa obra (...) estamos aqui para, respeitosamente receber o presidente e eu tenho votado muitos projetos importantes para o país. Votei, junto com o governo, a favor do Mais Médicos e da reforma tributária", afirmou Gilson. 
O PP, presidido por Da Vitória no estado, ingressou no governo Lula, mas somente parte dos deputados federais entrega os votos esperados pelo Executivo. No Espírito Santo, o próprio Da Vitória se diz independente em relação à gestão do petista. Evair de Melo, por sua vez, faz oposição — ele não foi à inauguração nesta sexta.
"A minha presença ali foi para fazer justiça e honrar o gesto que bancada capixaba fez, a união para alocar recursos da bancada na obra", afirmou Da Vitória, já em Colatina, após sair da solenidade.
"A bancada colocou cerca de R$ 300 milhões no Contorno do Mestre Álvaro, entre emendas de bancada e emendas de relator, do total de R$ 500 milhões da obra. O ministro (dos Transportes, Renan Filho), o (prefeito Sérgio) Vidigal, o governador (Renato Casagrande) e o presidente (Lula) reconheceram o esforço da bancada", complementou. Ele é o coordenador da bancada capixaba.
"Só cumprimentei Lula quando ele chegou e saí antes de terminar.  Já havia cumprido meu papel", respondeu Da Vitória, quando questionado pela coluna se interagiu com o presidente da República. 
PARA BOLSONARO, SÃO INIMIGOS
Mas é preciso reconhecer que, apesar de Lula ter fustigado Bolsonaro no discurso, reeditando a rivalidade da eleição do ano passado, a belicosidade do evento nem chegou perto do que foi dito no mês passado na Assembleia Legislativa do Espírito Santo. Na ocasião, o ex-presidente foi homenageado. 
Lá, todos que não rezam pela cartilha bolsonarista foram chamados não de adversários, mas de "inimigos".

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

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