Em entrevista à Rádio CBN Vitória logo após a apuração, o candidato do PL no estado admitiu à coluna que esse foi um dos fatores preponderantes para que tenha sido derrotado nas urnas.
Não quer dizer que o governador socialista tenha se convertido ao bolsonarismo. Apenas frisou que, com qualquer que fosse o alçado ao Palácio do Planalto, ele manteria o diálogo.
Um exemplo foi a frente partidária ampla que formou, desde o primeiro turno, incluindo o PT e o PP bolsonarista.
Na segunda etapa do pleito, Casagrande deixou a postura de passividade e passou a criticar e a apontar o dedo para o adversário.
A coluna registrou que, no último debate antes da votação no segundo turno, na quinta-feira (22), o governador teve que se conter ao disparar petardos contra Manato para não atingir o próprio Bolsonaro, uma vez que precisava dos votos dos bolsonaristas.
Ficou refém dessa estratégia. Mas ela foi eficiente.
"VENCEU A VIDA!"
No Twitter, o governador escreveu, após agradecer aos votos que o reconduziram ao cargo: "Venceu a vida!".
No mesmo debate em que Casagrande repetiu as críticas que havia feito ao adversário durante todo o segundo turno – pelo fato de Manato ter sido associado à Le Cocq, por ser suspeito de ter incentivado a greve da Polícia Militar de 2017 ... – o próprio candidato do PL forneceu munição contra si mesmo.
"A pandemia (de Covid-19) foi uma farsa", afirmou Manato, na ocasião. Frase que ele não havia dito em público até então. O ex-deputado federal sustentou que pacientes vítimas de "tiro ou facada" foram classificados como infectados pelo novo coronavírus para inflar as estatísticas com o macabro intuito de prejudicar Bolsonaro.
Tudo isso sem provas. A declaração pegou muito mal. Manato, entretanto, avaliou, ainda em entrevista à CBN Vitória, que o discurso negacionista não foi algo relevante para o resultado das eleições.
E repetiu o que havia dito no debate. A coluna tem uma avaliação diferente. Pode ser que isso não tenha sido "o" motivo da derrota de Manato, mas, certamente contribuiu para o desfecho.
Houve até repercussão negativa na imprensa nacional. O agravante é que Manato é médico, com especialidade em ginecologia e obstetrícia.
Manato ainda defendeu o "tratamento precoce", comprovadamente ineficaz contra Covid-19. Nem Bolsonaro dá ênfase a essas coisas mais.
Talvez o eleitor, ainda que bolsonarista, tenha pensado que, pragmaticamente, seria mais seguro continuar com o atual governador.
O ex-deputado federal prontamente reconheceu o resultado da eleição, afirmou que não vai fazer oposição a Casagrande e deseja sucesso à administração dele. A postura ácida que adotou no debate ficou para trás.
Foi uma declaração democrática de Manato, que merece ser elogiada, embora devesse ser considerada corriqueira. No Brasil atual, o normal é privilégio.
A FORÇA DA MÁQUINA
A reeleição de Casagrande não foi um passeio no parque. A disputa foi acirrada, tanto que não havia segundo turno na corrida pelo governo do estado desde 1994.
Para vencer a empreitada, ele contou com o apoio da maioria dos prefeitos do Espírito Santo.
Na Grande Vitória, que concentra a maior parte do eleitorado, ele foi endossado pelos chefes dos Executivos de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos); Cariacica, Euclério Sampaio (União Brasil) e Serra, Sérgio Vidigal (PDT).
Em Viana, Wanderson Bueno (Podemos), e em Guarapari, Edson Magalhães (PSDB) também estiveram ao lado de Casagrande.
PODE PEDIR MÚSICA
O socialista vai iniciar o terceiro mandato, não consecutivo, como governador do Espírito Santo.
Esteve à frente do Palácio Anchieta de 2011 a 2014 e de 2018 a 2022 (termina este mandato em dezembro).
Ele iguala, assim, a marca do ex-governador Paulo Hartung.
Desde 2003, apenas Casagrande e Hartung administraram o estado. Em 2026, o socialista não vai poder se candidatar novamente.
Hartung já disse que considera encerrado o seu ciclo de mandatos.
O governador reeleito, portanto, deve preparar algum sucessor. Ou outro grupo político pode assumir o controle.
Manato disse não ter planos nem para 2024, o próximo pleito municipal. E pretende, por enquanto, dedicar-se à atividade empresarial.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.