Por unanimidade, os vereadores de
Vila Velha aprovaram o projeto de lei, do vereador Devacir Rabello (DC), que proíbe, na rede municipal de ensino, obras e manifestações artísticas que contenham “conteúdo impróprio” para os estudantes.
Segundo define o projeto, a lei se aplica a conteúdo audiovisual, escrito e obras ou manifestações artísticas que tenham conteúdo erótico, violência contra a mulher e apologia ao tráfico e às drogas. A matéria agora está com o
prefeito Arnaldinho Borgo (Podemos), para se manifestar pela sanção ou veto.
A coluna perguntou ao vereador se a lei não poderia se configurar censura e sobre a dificuldade de se definir o que é “conteúdo impróprio”. “Escola é lugar de aprendizado. Manifestações culturais são as folclóricas, previstas no nosso calendário, como o Saci-Pererê, o Sítio do Picapau Amarelo”, defendeu o parlamentar, que é da Igreja do Evangelho Quadrangular e diz ter apoio de muitos pastores à sua iniciativa de apresentar o projeto de lei.
Rabello, que está exercendo seu primeiro mandato, diz que fez um vídeo com fatos que, a seu juízo, configuram a expressão de conteúdo inadequado para os estudantes da rede municipal de Vila Velha. Ele conta que a ideia de elaborar uma lei restringindo essas manifestações surgiu antes mesmo de ele ser eleito.
“Antes da eleição, fui a uma escola de Vila Velha, na hora do recreio. Lá estavam estudantes dançando ao som de músicas de funk que faziam apologia às drogas e à violência contra a mulher. Isso não é cultural, isso veio poluir a mente das nossas crianças.”
O vereador, que é aliado do prefeito Arnaldinho Borgo, afirma que seu projeto não se trata da proibição de educação sexual nas escolas, que “dentro dos limites e da idade adequada tem por objetivo, inclusive, a prevenção da gravidez precoce”.
“A finalidade é extirpar ou minimizar o impacto negativo que a inserção de
músicas, filmes, teatros e cartilhas com conteúdos, ou letras inapropriadas, proporcionam às crianças e adolescentes, no âmbito escolar de Vila Velha”, reforça.