Adaptado aos ambientes abertos das savanas sul-americanas, é um animal que gosta de andar no começo da noite (crepuscular) e se alimenta tanto de carnes como de vegetais (onívoro), com importante papel na dispersão de sementes de frutos do Cerrado, principalmente a lobeira (Solanum lycocarpum).
Segundo informação do jornalista Weber Andrade, entusiasta da vida selvagem, do portal Tribuna Norte-Leste, onde há lobeiras, há lobo-guará. A lobeira é o mais importante alimento desse canídeo, que é monógamo – eles vivem em casais e não em matilhas – e serve para combater um verme comum na vida deles, o verme gigante dos rins. Sem essa planta por perto, o lobo-guará não vive.
Guarambá, o nome indígena da planta, vem do tupi e significa “alimento do lobo-guará”. Também recebe as denominações de lobeira, berinjela-do-cerrado, bolota-do-campo, fruta-de-lobo, fruta-de-guará e jurubebão.
A planta é encontrada em áreas devastadas, capoeiras primárias, formações secundárias de lugares altos e beira de estradas em todo o país, principalmente nos Estados do
Amazonas, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins.
A lobeira um arbusto espinhento com 50 cm a 2 metros de altura com copa arredondada e formada rente ao chão devido aos galhos e ramos serem muito frágeis e quebrarem com ventos fortes.
“O Cerrado é o ambiente típico dele. Mas com o desmatamento da Mata Atlântica, que é transformada em pastagens e em outras culturas, eles conseguem trafegar nesses ecossistemas", explica Edson Valpassos, biólogo e mestre em Ciência Florestal.
À primeira vista, alguém desavisado pode ficar com medo do lobo-guará, mas não há motivo para isso. “Quem avistá-lo, não precisa se assustar. O animal não oferece risco de ataque a humanos”, tranquiliza o biólogo e mestre em Ciência Florestal Edson Valpassos. “A espécie se alimenta de pequenos anfíbios, répteis e da lobeira", acrescenta.
O lobo-guará é uma espécie de canídeo endêmico da América do Sul e único integrante do gênero Chrysocyon. Provavelmente, a espécie mais próxima é o cachorro-vinagre (Speothos venaticus), também conhecido como cachorro-do-mato.
O animal é o maior canídeo da América do Sul, podendo ter de 20 a 30 kg de peso e até 90 cm na altura da cernelha (região localizada entre os ossos do ombro e a base do pescoço). Suas pernas longas e finas e a densa pelagem avermelhada lhe conferem uma aparência inconfundível.
Solitário, os territórios são divididos entre o casal. Esses territórios são bastante amplos, podendo ter uma área de até 123 km². A comunicação se dá principalmente através de marcação de cheiro, mas também ocorrem vocalizações semelhantes a latidos. A gestação da fêmea dura até 65 dias, com os recém-nascidos de cor preta pesando entre 340 e 430 g