A Câmara Municipal de
Vila Velha aprovou, na última segunda-feira (1º), uma Moção de Aplauso proposta pelo vereador Leo Pindoba (PTC), que cumpre seu primeiro mandato. Seria uma das muitas homenagens rotineiras do Legislativo canela-verde, mas desta vez a iniciativa teve algo de peculiar: o homenageado é o próprio pai do parlamentar, Márcio Borges Salles, mais conhecido como Márcio Pindoba.
“Meu pai é líder comunitário de Santos Dumont desde 2013. Ele é ferroviário, não vive de política e conquistou muitas coisas para a comunidade sendo líder comunitário”, defende o vereador, cujo nome verdadeiro é Leo Victor Damascena Salles.
Entre os feitos do seu pai na comunidade, Leo Pindoba cita a reconstrução da sede do Centro Comunitário de Santos Dumont, parcialmente destruído por um incêndio, e a construção de uma capela mortuária no bairro. “Isso tudo me fez admirar a forma de liderança do meu pai”, elogia o filho.
Leo Pindoba diz que encontrou na Moção de Aplauso uma forma de homenagear seu pai, que, segundo ele, sempre foi vítima da indiferença. “Meu pai nunca foi parabenizado pela cidade de Vila Velha pelos serviços prestados às comunidades.”
Questionado pela coluna se o ato dele não fere a impessoalidade e que a homenagem poderia ser prestada por outro parlamentar que não tivesse vínculo de parentesco com o líder comunitário, Leo Pindoba admitiu que pensou nessas questões, mas mesmo assim resolveu manter a homenagem ao seu pai.
“Também pensei nessa propositura [a homenagem ser feita por outro vereador], mas aí seria uma impessoalidade disfarçada. Mesmo como vereador, continuo andando nas comunidades e já propus uma Moção de Aplauso a outro líder comunitário”, diz.
Para o parlamentar, a homenagem é devida a quem está à frente das comunidades: “Os líderes comunitários têm um trabalho importante em Vila Velha, eles não têm remuneração alguma e merecem [ser homenageados]. Meu pai sempre foi atuante na Câmara, sempre foi amigo dos vereadores, sempre que pode vai às sessões da Câmara, mas nenhum vereador olhou por ele. É uma questão de honra para quem tem honra. Aí não é um filho falando para um pai, aí é um vereador fazendo honra a um líder comunitário”, defende Leo.
Ele diz que não vê incompatibilidade ética em um vereador homenagear oficialmente um parente: “Quem contribui para a cidade de Vila Velha, independentemente de ser parente, merece essa honra. Eu queria muito que um vereador, antes de mim, propusesse essa Moção de Aplauso, mas ninguém nunca olhou pelos esforços do líder comunitário de Santos Dumont”, lamenta.