Apontar para uma única ou principal motivação para a variação nas taxas de homicídios ao longo dos últimos anos implica tentar simplificar um fenômeno que é, por natureza, complexo e multidimensional. É preciso, portanto, fazer uma contextualização para compreender sua dinâmica. O Espírito Santo enfrentou desde a década de 1980 um crescimento contínuo de suas taxas de violência letal. Entre 1979 e 2008 a Região Metropolitana da Grande Vitória apresentou um crescimento real de homicídios de cerca de 1.423%. No ápice dessa espiral de violência, o ano de 2009, foram registrados no Estado 2.034 homicídios, o que colocou o Espírito Santo no 1º lugar no ranking nacional de violência. A partir de então, diversas ações de enfrentamento, de forma pontual ou integrada, foram levadas a cabo por sucessivos governos. Incluíam desde a ampliação do número de vagas em presídios até a adoção de novas técnicas de gestão para controle das ações policiais. Dez anos depois, tornamos a alcançar taxas de homicídios próximas à média nacional. Com o passar dos anos, entretanto, tais práticas vêm se mostrando incapazes de responder da mesma forma aos novos desafios impostos pela realidade, e uma reversão da tendência de redução tornou-se inevitável. Fórmulas consagradas têm data de validade e, no que se refere à políticas públicas de segurança, é imperativo lembrar que é preciso adaptar, evoluir e inovar continuamente.