O tempo para ela não parecia passar. Lúcida, memória boa, era a moradora mais antiga não apenas da Rua Emiliana Emery, mas da
própria cidade onde nasceu e cresceu. Ou melhor, a cidade cresceu em torno dela. Mas a vida findou-se às 20 horas deste sábado (27) para dona Flordelis Siqueira de Paula, a dona Flor, que fez 107 anos de idade em 4 de agosto do ano passado.
Guaçuí, a “Pérola do Caparaó”, não terá mais alvorada para dona Flor,
como aquela que a coluna noticiou no seu último aniversário. A vovó supersimpática e falante, moradora mais antiga da cidade, estava até feliz, segundo atesta Renata Tomaz, 32 anos, vizinha da frente e que a considerava sua bisavó.
Dona Flor havia tomado a primeira dose da vacina contra a
Covid-19 e aguardava em casa, devidamente resguardada, a segunda dose e a completa imunização. Não deu tempo. Mas não foi do terrível vírus que a vovó do Caparaó pereceu. O motivo foi outro.
“Ela sofreu uma queda dentro de casa e quebrou uma perna. Foi levada ao hospital e teve que fazer uma cirurgia. Por precaução, foi para a UTI, mas se recuperou bem e na sexta-feira teve alta e voltou para casa. Morreu serena, sem aviso”, conta a vizinha Renata, amiga de dona Flor, apesar dos 75 anos de diferença de idade entre as duas.
Das duas filhas adotivas, Neusa mora em Guaçuí, mas a outra, Regina, mora em
Vitória e quando soube da morte da mãe, viajou para a cidade do Caparaó para participar das despedidas de dona Flor. Quem sabe com uma retreta da Lira Santa Cecília tocando as músicas que ela gostava de ouvir e cantarolar no dia de seu aniversário.
Obrigado pelo seu exemplo de vida, dona Flor. O jardim que a senhora deixou aqui jamais vai deixar de florescer.